Alimentação e Transportes lideram alta do IPCA & Demanda por
crédito diminui! Mais sobre a China!
Thiago Flores
Ainda em patamar elevado, o IPCA registrou alta de 0,83% em
janeiro, sendo que os núcleos se mantiveram pressionados,
mantendo a atenção no monitoramento para o cenário prospectivo.
Para fevereiro, não se esperam grandes alívios já que novos
reajustes, em especial de educação, serão incorporados e os
preços de alimentação permanecem pressionados, mesmo
considerando um alívio recente no mercado doméstico, lembrando
que as cotações internacionais seguem em níveis altos.
Diante disso, mantém-se a visão de continuidade do ciclo de
aperto monetário, combinado com a política fiscal
contracionista. A abertura por grupos revelou aceleração do item
de transportes de +0,29% em dezembro para 1,55% em janeiro,
influenciado pelo reajuste das tarifas de ônibus urbanos.
Entretanto, o grupo alimentação continuou pressionado, ao
registrar alta de 1,16%, mas desacelerando em relação a dezembro
(+1,32%). O grupo vestuário, por sua vez, manteve-se em
trajetória de descompressão, ao passar de alta de 1,34% em
dezembro para 0,12%, seguindo o padrão sazonal.
O IPC-FIPE iniciou fevereiro com alta de 1,12% e desacelerando
em relação ao observado em janeiro (1,15%). A descompressão
sobre o índice, que deve continuar ao longo do mês, é reflexo da
dissipação dos reajustes de cursos e também pela rápida
desaceleração de alimentação, o que levou à inflação de 4,81% em
educação e de 0,29% em alimentação. No sentido contrário, o
grupo transportes continua incorporando reajustes de tarifas,
chegando à alta de 3,24%, ao passo que habitação (0,58%) e saúde
(0,73%), também mostraram aceleração na taxa. Ao longo do mês,
os reajustes em transportes deverão começar a ter seus impactos
dissipados, contribuindo para índices menos elevados.
O arrefecimento da demanda por crédito verificado em janeiro
refletiu já os efeitos das medidas macroprudenciais, anunciadas
pelo Banco Central no fim do ano passado, conforme sugerido
pelo Indicador Serasa Experian da Demanda do Consumidor por
Crédito que registrou expansão de 12,9% em comparação com o
mesmo período do ano passado, porém recuou 3,0% em relação a
dezembro.
Assim, esperamos que as concessões de crédito também tenham
desacelerado neste início de ano, ainda que, na nossa visão, o
impacto das medidas deverá se reduzir ao longo dos próximos
meses. Dessa forma, mesmo assumindo uma moderação no ritmo
expansionista do crédito à pessoa física em 2011, em linha com a
atividade econômica como um todo, acreditamos que as condições
para o mercado de crédito permanecem favoráveis, haja vista os
sinais muito positivos do mercado de trabalho que permanecerão
em cena.
No âmbito internacional, a China anunciou ontem mais uma
elevação de 25 bps nas taxas de juros para empréstimo e para
depósito, que chegaram a 6,06% e 3% ao ano, respectivamente, a
valer a partir de hoje, quando os mercados financeiros voltam a
abrir após o período fechado por conta das comemorações do
feriado do Ano Novo chinês. Esta alta segue outras duas
elevações da taxa de juros anunciadas em 19 de outubro e 25 de
dezembro do ano passado. Além disso, nos últimos meses a China
também elevou o compulsório diversas vezes (seis ao longo de
2010, sendo que a última subida foi implementada no último dia
20 de janeiro) e tem apertado as restrições ao setor imobiliário
além de monitorar mais de perto as concessões de crédito,
impondo restrições mais fortes. Assim, este movimento está em
linha com o esperado ciclo de aperto monetário, intensificado
nos últimos meses, voltado principalmente para controlar a
inflação, que deverá rodar ao redor de 5,5% na primeira metade
deste ano. Na nossa visão, deveremos observar nos próximos meses
novas elevações tanto no compulsório como na taxa de juros, o
que deverá fazer com que o ritmo da atividade mostre certo
arrefecimento nesta primeira metade de 2011, sendo que só
deveremos observar uma desaceleração mais pronunciada da
inflação no segundo semestre. Por fim, interpretamos esta subida
da taxa de juros como um sinal importante vindo do governo
chinês de comprometimento com o combate à inflação, o que poderá
fazer com que o orçamento total de aperto seja antecipado para
os próximos meses, com possíveis impactos mais pronunciados
sobre a atividade. Neste sentido, será importante acompanhar as
próximas decisões de política monetária na China que, se
confirmando mais agressivas e concentradas, deverão levar a uma
desaceleração mais forte da economia, a ser verificada no
segundo trimestre deste ano.
Os índices futuros das bolsas européias devem operar em ligeira
alta, enquanto que o índice futuro da bolsa norte-americana,
S&P, deve operar em ligeira baixa, após a alta expressiva
observada ontem. No decorrer do dia, os analistas deverão voltar
suas atenções para o discurso do presidente do Federal Reserve,
Ben Bernanke. No Brasil, a Bovespa deverá devolver parte da alta
observada ontem e fechar em ligeira baixa. No mercado de câmbio,
após uma apreciação do real ontem frente à moeda
norte-americana, hoje, a moeda brasileira deverá apresentar
pequena depreciação frente ao dólar.
(*)
Thiago Flores é Administrador – EAESP-FGV, Mestre em Economia de
Negócios – EESP – FGV, Mestre em Finanças – IBMEC/INSPER –SP,
Consultor de empresas e CFO à FF Consult ®
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