Alta de preços agrícolas e Minério de ferro pressionam IGPs
futuros! Confira as previsões de bolsas, mercados, moedas, juros
e afins!
Thiago Flores
A revisão para cima das expectativas para a safra nacional de
grãos de 2010/11, motivada pelo aumento da área plantada, acaba
por tirar o viés de uma nova rodada de alta dos preços agrícolas
nos próximos meses. Ainda assim, não se espera um expressivo
alívio para esses preços, já que o cenário de preços
internacionais ainda dá sinais de aceleração, haja vista as
condições não tão favoráveis esperadas para as safras dos demais
países.
Assim, a produção nacional de grãos da safra 2010/11 foi
estimada em 153,06 milhões de toneladas, o que representou um
avanço de 2,6% comparado à safra anterior, conforme divulgado
ontem pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab). A
correção em relação ao levantamento anterior, que indicava um
crescimento de 0,1% da produção, se deu na ampliação da
expectativa para a área plantada. Na direção contrária, vale
lembrar que os impactos negativos do fenômeno climático La Niña
foram percebidos apenas na região Sul do País, onde a produção
deverá apresentar queda de 2,9% a despeito da estabilidade da
área plantada.
Como já dito, ao mesmo tempo em que as perspectivas para a safra
brasileira venham melhorando, o mesmo não tem acontecido em
outras regiões conforme apontado pelo USDA (Departamento de
Agricultura dos Estados Unidos), sugerindo uma melhora na
posição relativa do Brasil, que deverá se beneficiar tanto pelo
ganho de mercado como pelos preços ainda em níveis elevados.
De fato, as últimas revisões das estimativas de produção das
principais commodities agrícolas, como milho, soja e trigo,
reforçam a visão de que as pressões de preços de alimentos
deverão se manter no cenário internacional, conforme indicado
pelo relatório mensal da produção mundial de grãos do USDA,
divulgado ontem. Dentre as principais culturas, destacamos o
milho, cuja produção global foi revisada para baixo em 1,8
milhão de toneladas, principalmente motivada pela queda na
Argentina, afetada pela seca, ao mesmo tempo em que seus
estoques foram revistos para baixo em 3,5%, ficando 15% abaixo
do observado no ano passado.
Da mesma maneira, no caso da soja, a menor estimativa para a
produção argentina puxou a produção mundial para baixo, mas foi
compensada pela revisão para cima da produção brasileira, em
linha com o sugerido pela Conab, refletindo a melhora climática
observada nos últimos meses; com isso, a produção global dessa
commodity foi elevada ligeiramente em 0,6 milhão de toneladas.
Por fim, quanto à safra de trigo, verificamos uma revisão
marginal para baixo, permitindo que as relações estoque-consumo
ficassem ainda mais apertadas. O quadro geral, portanto, ainda é
de restrição de oferta dos principais grãos ao redor do mundo, o
que reforça o cenário atual de elevação de preços de
commodities, que deverão continuar em patamares elevados nos
próximos meses.
No mesmo sentido, a primeira prévia do IGP-M de fevereiro
apresentou alta de 0,66%, abaixo da mediana esperada pelo
mercado (0,76%), mas ainda mostrando focos de pressão no IPA. O
IPA agrícola registrou alta de 1,42%, acelerando em relação ao
reportado na primeira prévia de janeiro (0,98%), refletindo alta
de milho, trigo, algodão e recuperação dos preços de carne
bovina. O IPA industrial, por sua vez, também mostrou inflação
mais elevada em relação a janeiro, subindo 0,52%. Parte dessa
aceleração é explicada pela incorporação do reajuste do primeiro
trimestre do minério de ferro, porém a elevação dos preços de
produtos têxteis e de artigos de vestuário também contribuiu
para o resultado mais pressionado. No sentido contrário,
metalurgia básica e veículos desaceleraram na comparação com
janeiro. A inflação ao consumidor, medida pelo IPC, reportou
alta de 0,45%, ainda refletindo reajuste de educação e tarifas
de transportes. Por fim, o INCC desacelerou para 0,52%, com
alívio vindo de mão de obra. A incorporação do reajuste de
minério de ferro, além das pressões observadas na cadeia têxtil
e as altas dos preços dos mercados internacionais de commodities
agrícolas deverão contribuir para índices ainda elevados ao
longo do mês.
As bolsas européias e o futuro do índice da bolsa
norte-americana, S&P, devem operar em baixa. O retorno da
preocupação com o Egito em conjunto com uma possível realização
técnica de lucros nos EUA podem ser apontado como os principais
fatores desse movimento. No Brasil, a Bovespa deverá seguir a
direção das bolsas internacionais e fechar o dia em baixa,
influenciada pelo aumento da preocupação internacional. Com esse
cenário, no mercado de câmbio, o real deverá se depreciar frente
à moeda norte-americana. No mercado de juros futuros, as curvas
deverão apresentar ligeira elevação em suas taxas, influenciadas
pelo retorno da preocupação com o Egito; a cotação do barril de
petróleo apresenta elevação nessa manhã, indicando o aumento
marginal da preocupação dos analistas com a região.
(*)
Thiago Flores é Administrador – EAESP-FGV, Mestre em Economia de
Negócios – EESP – FGV, Mestre em Finanças – IBMEC/INSPER –SP,
Consultor de empresas e CFO à FF Consult ®
www.ffconsult.com
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