Alta nas expectativas de inflação, Atividade moderada, Retração
na confiança & Desaceleração das exportações de celulose!
Thiago Flores
Ainda refletindo índices de inflação pressionados no curto
prazo, observamos pelo relatório Focus por mais uma semana a
revisão para cima das expectativas de inflação para este ano,
ainda que de maneira moderada, enquanto que, para 2012, houve um
leve ajuste para baixo. A expectativa para o IPCA deste ano se
elevou de 5,64% para 5,66%, ao mesmo tempo em que, para 2012, a
mediana apresentou queda de 4,70% para 4,61%. Em relação ao
crescimento do PIB, destacamos a manutenção das projeções em
4,6% para 2011 e 4,5% para o próximo ano. Para a taxa de
câmbio, as projeções para 2011 se moveram na direção de uma
maior apreciação, passando de R$/US$ 1,75 para R$/US$ 1,73,
sendo que as expectativas para 2012 ainda consideram uma
depreciação para R$/US$ 1,80. Por fim, as expectativas para a
taxa Selic para 2011 e 2012 se mantiveram em 12,50% e 11,0%,
respectivamente.
Depois de indicadores mais moderados de atividade divulgados na
semana passada, aceleração da inflação voltará a centralizar as
atenções no cenário doméstico desta semana. A despeito dos
sinais mais moderados apresentados pelos indicadores de
atividade conhecidos na semana passada, em especial a produção
industrial de dezembro, espera-se que os indicadores de inflação
– que serão conhecidos nesta semana – continuem mostrando um
cenário de preços pressionados no curto prazo, mantendo as
incertezas em relação aos próximos passos da política monetária.
Em linha com os demais indicadores de confiança que têm se
mantido acomodados, a confiança do setor de serviços iniciou o
ano em queda, por conta da retração da avaliação da situação
atual, conforme divulgado há pouco pela Sondagem de Serviços da
FGV. O Índice de Confiança de Serviços apresentou queda marginal
de 3,0% para 128,2 pontos em janeiro, embora tenha ficado acima
da média histórica da série (123,8 pontos), lembrando que a
série não é ajustada sazonalmente, uma vez que é relativamente
curta (iniciada em junho de 2008). Nesta divulgação,
verificou-se queda de 12,2% do índice de Situação Atual,
enquanto o Índice de Expectativas se elevou 5,6% no mês. O
principal determinante da queda da avaliação corrente foi a
contração da proporção de empresas que considera a situação
atual como forte, que passou de 34,5% para 19,8% em janeiro.
Daqui para frente, acredito que a atividade do setor de serviços
continuará em ritmo forte, levando em conta que as condições de
renda permanecerão positivas ao longo deste ano.
As exportações brasileiras de celulose atingiram 8,375 milhões
de toneladas em 2010, perfazendo crescimento de 1,8% em 2010 em
relação a 2009, quando haviam se expandido 16,8%, segundo dados
divulgados na última sexta-feira pela Associação Brasileira de
Celulose e Papel (Bracelpa). Essa desaceleração refletiu
principalmente a retração de 17% das importações totais chinesas
de celulose em volume (segundo estatísticas chinesas), que
respondem por cerca de 30% do total das vendas externas
brasileiras. Na mesma direção, a produção de celulose também
desacelerou, com crescimento de 5,6% em 2010, atingindo 14,054
milhões de toneladas, frente ao acréscimo de 6,9% verificado em
2009. As vendas internas ainda mantiveram um ritmo de
crescimento elevado, se expandindo 9,3%. Especificamente no
setor de papel, a produção doméstica avançou 3,7% em 2010,
atingindo 9,775 milhões de toneladas; as exportações cresceram
3,3% no ano, atingindo 2,074 milhões de toneladas, ao passo que
as importações registraram um acréscimo de 38,4% no ano, para
1,502 milhões de toneladas, reduzindo o saldo comercial do
segmento em 20,4%. As vendas internas cresceram 5%, levando o
consumo aparente a um acréscimo de 8,2%, para 9,203 milhões de
toneladas.
O índice futuro da bolsa norte-americana (S&P) e as bolsas
européias devem operar em alta, enquanto que o dólar deve perder
valor frente às demais moedas. Esta tendência de alta acaba por
refletir a melhor percepção quanto à atividade global, ao mesmo
tempo em que os sinais de normalização dos conflitos no Egito
retiram a preocupação que acabou puxando para baixo os mercados
na semana passada. Assim, o mercado doméstico deverá ser
influenciado pela tendência externa, levando a bolsa brasileira
a operar no campo positivo, recompondo parte das perdas
registradas nos últimos dias, ao passo que o real deverá
apresentar ligeira apreciação frente ao dólar.
(*)
Thiago Flores é Administrador – EAESP-FGV, Mestre em Economia de
Negócios – EESP – FGV, Mestre em Finanças – IBMEC/INSPER –SP,
Consultor de empresas e CFO à FF Consult ®
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