Cenário da Economia Brasileira: Balanço Positivo
Thiago Flores
De acordo com dados do Banco Central, apesar das dificuldades
enfrentadas pelos países desenvolvidos, o cenário para a
economia brasileira continuou positivo, marcado por forte
expansão da atividade econômica e do crescimento do crédito.
No período, os bancos captaram recursos suficientes para
continuar a financiar a expansão das carteiras e, ao mesmo
tempo, manter estoques elevados de ativos líquidos.
O crescimento do crédito às famílias foi sustentado por
modalidades de menores taxas e risco, e com prazos mais longos,
portanto, contribuindo para a relativa estabilidade do
comprometimento de renda com o serviço da dívida.
Por outro lado, o acelerado e contínuo crescimento do crédito
motivaram a publicação de um conjunto de medidas de natureza
macroprudencial com o objetivo de mitigar potenciais riscos à
estabilidade do SFN, propiciando a continuidade do
desenvolvimento sustentável do mercado de crédito.
O sistema apresentou rentabilidade satisfatória e a solvência
permaneceu robusta, visto que o aumento da exposição ao risco
dos ativos, principalmente pelo aumento da carteira de crédito,
foi acompanhado pela incorporação de lucros, mantendo a
suficiência e a qualidade da base de capital.
Os testes de estresse mostraram que, mesmo em cenários extremos
de deterioração da situação macroeconômica, o Índice de Basiléia
do sistema se manteria superior ao estabelecido na
regulamentação.
O Sistema de Pagamentos Brasileiro (SPB) funcionou de forma
adequada, considerando-se os aspectos de risco e de eficiência.
Finalmente, no curto e médio prazos, importantes modificações
serão incorporadas ao arcabouço prudencial brasileiro, como as
recomendações de Basileia III; a elevação do requerimento de
capital para determinadas modalidades de operações de crédito; a
redução gradual do limite para captação de depósitos com
garantias especiais; e alteração dos procedimentos para a
classificação e o registro contábil de operações de venda ou de
transferência de ativos financeiros.
De forma geral, dada a atual situação de capitalização e
liquidez, bem como a lucratividade do sistema, espera-se que os
bancos brasileiros sejam capazes de se adaptar às novas medidas
sem que ocorram mudanças relevantes em suas estratégias de
negócios.
(*)
Thiago Flores é Administrador – EAESP-FGV, Mestre em Economia de
Negócios – EESP – FGV, Mestre em Finanças – IBMEC/INSPER –SP,
Consultor de empresas e CFO à FF Consult ®
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