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Balanço geral do início do ano!

Thiago Flores 

Um balanço geral neste começo de ano mostra uma evolução atual e defasada das cotações de commodities e preços de serviços que deverão continuar pressionando a inflação ao consumidor nos próximos meses.

Além disso, o ano começou com notícias pouco animadoras no âmbito da inflação. O resultado de janeiro do IPCA, de 0,83%, veio em linha com o esperado, mas deve ser lido como bastante pressionado, mesmo quando comparado com o mesmo mês de anos anteriores. É bem verdade que o primeiro mês do ano apresenta variações elevadas por conta, dentre outros fatores, da concentração de reajustes de tarifas de transportes e dos impactos das chuvas sobre os produtos in natura. Contudo, não se pode negar que há mais do que apenas fatores pontuais na inflação ao consumidor.

Observando os movimentos de preços agrícolas nos mercados doméstico e internacional, consideramos que a alta das cotações de commodities ainda não foi totalmente incorporada nos preços de alimentação no domicílio ao consumidor final. Ainda deveremos observar alguma incorporação nos próximos meses, por conta das altas passadas e das que estão ocorrendo atualmente nos preços ao produtor. Além disso, as últimas leituras do IPCA apontaram que outros grupos têm apresentado pressões significativas mais recentes para os núcleos de inflação, como os bens duráveis, vestuário e alimentação fora do domicílio.

Olhando para frente, contemplamos uma inflação ainda em patamares desconfortáveis nos próximos meses, pelos seguintes motivos: (1) porque não acredito que todo o choque de commodities já tenha sido incorporado nos preços finais; (2) porque os preços agrícolas continuam apresentando alta, que será repassada à frente; e (3) porque não trabalho com um quadro de arrefecimento suficientemente forte do mercado de trabalho para alterar a trajetória dos preços de serviços.

As expectativas de inflação voltaram acelerar nesta última semana, capturando as pressões de curto prazo que não dão alívio, e foram acompanhadas por revisões para baixo do crescimento do PIB em 2011 e de expectativas de que a taxa de juros subirá mais no ano que vem, segundo o Relatório Focus divulgado há pouco pelo Banco Central, referente à semana até 11 de fevereiro. A expectativa para o IPCA deste ano se elevou de 5,66% para 5,75%, ao mesmo tempo em que, para 2012, a mediana chegou a 4,70% ante 4,61% na semana anterior. Em relação ao crescimento do PIB neste ano, destacamos uma leve revisão de 4,6% para 4,5%, alcançando a mesma taxa de expansão para 2012. Para a taxa de câmbio, as projeções para 2011 se moveram na direção de uma maior apreciação, passando de R$/US$ 1,73 para R$/US$ 1,72, sendo que as expectativas para 2012 ainda consideram uma depreciação atingindo R$/US$ 1,80. Por fim, as expectativas para a taxa Selic para 2011 se mantiveram em 12,50%, enquanto que, para 2012, observamos alta de 11,0% para 11,25%.

O balanço dos principais indicadores da indústria em janeiro, conhecidos ao longo da semana passada – tais como produção e vendas de veículos, emprego na indústria da Fiesp e fluxo de veículos pesados – reforça nossa expectativa de que a indústria deverá apresentar expansão na margem em janeiro mais fraca do que a esperada anteriormente, lembrando que em dezembro a produção industrial recuou 0,7%, nesta mesma base de comparação. Nesta mesma direção e de maneira complementar, a estimativa prévia das vendas de papelão ondulado somaram 194,4 mil toneladas em janeiro, caindo 0,1% na margem, segundo dados divulgados na última sexta-feira pela Associação Brasileira de Papelão Ondulado (ABPO).

As bolsas européias e o índice futuro da bolsa norte-americana (S&P) devem operar em alta, influenciadas pela melhora no cenário externo (refletindo a redução das tensões no Egito e a surpresa positiva com o resultado da balança comercial da China de janeiro e com o desempenho do PIB do Japão do quarto trimestre). Acredito que este otimismo se estenderá para o mercado doméstico fazendo com que a bolsa brasileira feche o pregão em alta. No mercado de câmbio, o dólar ganha valor frente às demais moedas, corrigindo o movimento dos últimos dias, tendência que também deve se refletir frente ao real.

(*) Thiago Flores é Administrador – EAESP-FGV, Mestre em Economia de Negócios – EESP – FGV, Mestre em Finanças – IBMEC/INSPER –SP, Consultor de empresas e CFO à FF Consult ®
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