Confiança e capacidade da indústria denotam moderação.
Desemprego estável. Veja o ranking!
Thiago Flores
Apesar da expansão marginal esperada para a produção da
indústria em fevereiro, o índice de confiança do empresário e o
nível de utilização da capacidade referentes a março, sinalizam
que a moderação deverá se manter nos próximos meses, conforme
divulgado há pouco pela Sondagem da Indústria da FGV. O Índice
de Confiança da Indústria mostrou estabilidade em relação a
fevereiro, quando havia se contraído 0,3%, em termos
dessazonalizados, ainda se mantendo em nível historicamente
elevado. O resultado deveu-se à piora do componente de
expectativas, cujo índice caiu 1,0% na margem, marcando a
terceira queda consecutiva, embora o índice de situação atual
tenha se elevado 0,8%. No item de expectativas, vale destacar a
proporção de empresas que espera queda da produção nos próximos
três meses, que cresceu de 5,1% em fevereiro para 9,8% em março.
Na mesma direção, o Nível de Utilização da Capacidade Instalada
passou de 84,5% em fevereiro para 84,3% em março, com ajuste
sazonal. Assim, levando em conta esses indicadores, mantemos
nossa avaliação de que a produção da indústria deverá mostrar
recuperação muito moderada nos próximos meses.
A taxa de desemprego, considerando as sete regiões
metropolitanas do País (Belo Horizonte, Porto Alegre, Recife,
Fortaleza, Salvador, São Paulo e Distrito Federal) chegou a
10,5% em fevereiro, ficando praticamente estável ante janeiro
(10,4%), de acordo com a Pesquisa de Emprego e Desemprego do
Seade/Dieese divulgada ontem. De maneira geral, as taxas de
desemprego por regiões mostraram poucas variações, com destaque
para São Paulo, cuja taxa de desocupação passou de 10,5% para
10,6%, enquanto que, no caso de Porto Alegre, houve estabilidade
em 7,3%. Em Recife, Belo Horizonte, Fortaleza e Distrito
Federal, o resultado se elevou ligeiramente, enquanto que em
Salvador, a taxa passou de 13,6% para 14,3%. Para o resultado
total, houve uma desaceleração do ritmo de crescimento da
ocupação e da população economicamente ativa, embora mais
intensa nessa última categoria. A ocupação passou de alta de
3,6% em janeiro para 2,9% em fevereiro, enquanto a população
economicamente ativa cresceu 0,3% no último mês, ante 1,3% no
mês anterior. Esses resultados, somados aos demais indicadores
do mercado de trabalho já conhecidos, reforçam nossa expectativa
de moderação do ritmo de geração de empregos nas principais
regiões do País.
As bolsas internacionais devem operar em baixa e o dólar perder
valor frente às demais moedas, refletindo o aumento da
expectativa de alta na taxa de juros, já no próximo mês, na
região do Euro, por conta da piora na inflação na região.
Contudo, ainda hoje, a divulgação de alguns indicadores da
economia norte-americana, além das apostas para a melhora no
mercado de trabalho nos EUA, pode reverter esta tendência ao
longo do dia. Estes movimentos deverão se estender para o
mercado doméstico, fazendo com que o real se aprecie frente ao
dólar e a bolsa doméstica inicie o pregão em baixa, podendo se
recuperar ao longo do dia.
(*)
Thiago Flores é Administrador – EAESP-FGV, Mestre em Economia de
Negócios – EESP – FGV, Mestre em Finanças – IBMEC/INSPER –SP,
Consultor de empresas e CFO à FF Consult ®
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