Expectativas de inflação ficam estáveis, Alimentação puxa IPC e
Surpresa: Crescimento da produção da indústria. Confira também
bolsas e câmbio!
Thiago Flores
A estabilidade das expectativas do mercado para a inflação deste
ano e o ajuste para cima das expectativas para o próximo ano
foram os destaques do Relatório Focus, divulgado há pouco pelo
Banco Central, referente à semana até 1º de abril. A projeção
para o IPCA deste ano ficou praticamente estável no patamar de
6,02%, ante a semana anterior, ao passo que as expectativas para
2012 continuaram sendo revisadas para cima, passando de 4,91%
para 5,0%. As expectativas de crescimento do PIB, por sua vez,
permaneceram estáveis em 4,0% e 4,03% para 2011 e 2012,
respectivamente. Para a taxa de câmbio, não houve alterações na
última semana, sendo que as projeções para 2011 e 2012 ficaram
em R$/US$ 1,70 e R$/US$ 1,75 respectivamente. Por fim, as
expectativas para a taxa Selic para 2011 e 2012 também ficaram
estáveis, em 12,25% e 11,25%, nesta ordem.
O IPC-FIPE referente ao encerramento de março registrou alta de
0,35% – pouco abaixo do esperado por nós (0,38%) e abaixo da
mediana do mercado (0,40%) – desacelerando em relação ao
observado nas últimas semanas e, principalmente, na comparação
com o resultado de fevereiro (0,60%). Em relação à terceira
semana de março, três dos sete grupos que compõem o índice
aceleraram, com destaque para alimentação (0,09%) – que voltou
ao campo positivo – e transportes (1,04%), ainda influenciados
pelas altas de combustíveis. Por outro lado, chama a atenção a
nova desaceleração de vestuário (0,02%), após apenas uma semana
com resultado mais pressionado. A saída de alguns reajustes do
cálculo do indicador também contribuiu para conter a aceleração
do índice, como em despesas pessoais (0,20%) e habitação
(0,27%). Para as próximas divulgações, esperamos continuidade da
recuperação dos preços de alimentação, assim como uma volta de
vestuário ao padrão típico desse período do ano, o que deverá
elevar o índice cheio.
A surpresa positiva com o resultado da produção industrial em
fevereiro foi explicada por fatores sazonais relacionados ao
carnaval – que antecipou parte relevante das encomendas para
fevereiro – e se concentrou em setores como metalúrgico e
automotivo. Ainda assim, o desempenho da indústria se mostrou
favorável neste segundo mês do ano. Para março, em especial,
deveremos observar uma correção desta forte alta, conforme os
primeiros antecedentes já disponíveis têm sugerido. A produção
industrial registrou expansão de 1,9% na margem em fevereiro,
após crescimento de 0,2% em janeiro, na série com ajuste
sazonal, conforme divulgado pelo IBGE na última sexta-feira. Na
comparação com o mesmo mês de 2010, a produção da indústria
acelerou para 6,9%, após registrar alta de 2,4% em janeiro. Por
categorias de produção, em relação a janeiro, destacamos o
crescimento de 1,3% da produção de bens intermediários, seguido
pelo aumento de 0,9% da categoria de bens de capital. Por outro
lado, bens de consumo duráveis arrefeceram 2,3% na margem,
enquanto bens de consumo semi e não-duráveis registraram leve
queda de 0,2% na mesma base de comparação. Por setores de
atividade, 17 setores (de um total de 27) contribuíram para a
elevação na margem, com destaque para alimentos (6,7%) e
veículos automotores (4,7%). Dentre aqueles que registraram
contração, vale destacar o de material eletrônico e equipamentos
de comunicações (-5,7%), edição e impressão (-4,0%) e outros
produtos químicos (-3,7%).
As bolsas internacionais devem operar em alta e o dólar se
apreciar frente às demais moedas, ainda refletindo o bom
resultado dos indicadores da economia norte-americana conhecidos
na sexta-feira passada. No mercado doméstico, acredito que a
bolsa deverá seguir a tendência externa fechando o dia em
ligeira alta, enquanto o real deve se depreciar frente ao dólar.
(*)
Thiago Flores é Administrador – EAESP-FGV, Mestre em Economia de
Negócios – EESP – FGV, Mestre em Finanças – IBMEC/INSPER –SP,
Consultor de empresas e CFO à FF Consult ®
www.ffconsult.com
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