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Exportação de petróleo enfraquece, moderando a balança comercial! Veja também mais sobre inflação, crescimento, bolsas e moedas!

Thiago Flores 

A balança comercial brasileira registrou superávit de US$ 424 milhões em janeiro, refletindo uma moderação nas exportações, especialmente de petróleo, e uma aceleração das importações, concentradas nas compras de bens de consumo e bens de capital, conforme divulgado ontem pelo Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior.

Na abertura setorial, a categoria de básicos se retraiu 11,9% em relação a dezembro de 2009, com destaque para as vendas externas de petróleo bruto; por outro lado, a categoria de semimanufaturados obteve alta de 4,6%, enquanto as vendas externas de manufaturados ficou praticamente estável, crescendo 0,3%, na mesma base de comparação. Já as importações totalizaram US$ 14,791 bilhões, patamar 43,6% maior do que janeiro de 2009 e avançando 4,3% na margem, considerando os ajustes sazonais. Dentre as categorias, na comparação na margem, destaque para bens de consumo (que se expandiram 7,6%, com ajuste sazonal) e bens de capital (que cresceram 3,7%).

Para este ano, a expectativa de que o saldo comercial registre superávit de US$ 14,1 bilhões, garantido pelo crescimento de 24% das exportações e de 30% das importações em relação a 2010.

O IPC-FIPE de janeiro apresentou alta de 1,15%, acelerando em relação às semanas anteriores, mas ficando ligeiramente inferior às nossas projeções e da mediana do mercado (1,18%). Os reajustes de tarifas de ônibus urbano, táxi e cursos foram os principais vetores de aceleração do índice, contribuindo para que o grupo transportes acelerasse para 3,18% e educação subisse 5,61%. No mesmo sentido, vestuário (0,04%) e despesas pessoais (0,85%) também pressionaram o resultado divulgado hoje. Por outro lado, o grupo alimentação – um dos principais vetores de pressão ao consumidor nos últimos meses de 2010 – continuou em desaceleração, atingindo alta de 0,73%. Os resultados de fevereiro deverão mostrar alguma descompressão no índice geral, com a dissipação dos efeitos dos principais vetores de pressão em janeiro.

O enfraquecimento na margem dos emplacamentos de veículos verificado em janeiro reflete, em parte, as medidas macroprudenciais implementadas pelo Banco Central em dezembro do ano passado, sugerindo uma moderação no ritmo expansionista do setor automotivo nos próximos meses. Com isso, espera-se um crescimento mais moderado da produção da indústria para o mesmo período. Após um forte resultado verificado no último mês do ano passado, os emplacamentos de veículos totalizaram 362,451 mil unidades – considerando automóveis, comerciais leves, caminhões e ônibus –, segundo divulgado ontem pela Fenabrave, o que representou uma retração de 9% em relação a dezembro. O resultado foi influenciado majoritariamente pela categoria de automóveis e comerciais leves, que mostrou queda de 9,1% na mesma base de comparação, enquanto que os emplacamentos de caminhões e ônibus avançaram 1,2% e 21,5%, respectivamente, na margem. Já na comparação com o mesmo período do ano passado, entretanto, as vendas totais registraram alta de 12,1%.

As bolsas européias e o índice futuro da bolsa norte-americana (S&P) devem operar em alta, ainda refletindo o bom resultado dos indicadores de atividade industrial (PMIs), divulgados ontem. Este otimismo também se estende para o mercado de câmbio, em que o dólar deve perder valor frente às demais moedas, mantendo o movimento dos últimos dias. Em linha com esta melhora na atividade global, acredito que a bolsa brasileira encerre o dia em alta e o real sofra ligeira apreciação frente ao dólar.

(*)
Thiago Flores é Administrador – EAESP-FGV, Mestre em Economia de Negócios – EESP – FGV, Mestre em Finanças – IBMEC/INSPER –SP, Consultor de empresas e CFO à FF Consult ®
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