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Geração forte de empregos em fevereiro, Recuperação da Argentina e Investimentos Diretos na Economia Brasileira

Thiago Flores 

A avaliação geral do mercado de trabalho é de que a geração de empregos seguiu forte em fevereiro – em linha com o desempenho já conhecido do Caged – com base nos resultados divulgados pelo IBGE. Vale notar, por outro lado, que a formalização tem se intensificado no mercado de trabalho, justificando a diferença dos resultados apresentados pela PME e pelo Caged, já que a segunda pesquisa tem sugerido um ritmo mais forte da criação de empregos, por tratar apenas dados do mercado formal.

Ainda assim, os sinais mais fracos vindos dos rendimentos – tanto em termos nominais como reais – neste início de ano reforçam a expectativa de que a desaceleração da atividade será lenta e moderada ao longo deste ano fazendo com que a taxa de ocupação permaneça favorável para o consumo das famílias.

Essa visão, por sua vez, é compatível com a a expectativa de que a taxa de desemprego ficará em 6,4% na média de 2011, alinhada com o crescimento de 3,8% do PIB esperado para este ano.

Destaco que tanto a ocupação quanto a população economicamente ativa (PEA) voltaram a acelerar na comparação interanual, ao registrarem expansão de 2,4% e 1,3%, respectivamente, contra 2,2% e 0,9% no mês anterior.

Pelo lado da renda, confirmando a desaceleração que temos observado, o rendimento médio real do trabalhador alcançou R$ 1.540,30 em fevereiro, que representou crescimento de 3,7%, após avanço de 5,3% em janeiro. Ao mesmo tempo, a massa salarial também arrefeceu, ao crescer 6,8% na mesma base de comparação, após elevação de 7,7% em janeiro.

Por outro lado, o pano de fundo do crescimento argentino nos últimos anos, do ponto de vista global, é o mesmo que influenciou os demais países emergentes e da América Latina, que foi uma forte expansão de liquidez e dos preços de commodities. Adicionalmente a esse vetor externo de crescimento, há quatro outros vetores que primordialmente explicam o crescimento acelerado da economia no período: juros reais baixos, forte expansão do crédito e dos gastos públicos e depreciação cambial sistemática.

À primeira vista, o desempenho da economia argentina dos últimos anos nos parece favorável. No entanto o modelo de crescimento adotado pelo governo na última década, baseado em juros reais reduzidos, fortes gastos fiscais, administração da taxa de câmbio, taxação de setores exportadores e controle de tarifas geraram custos e riscos para o futuro.

Feitas essas considerações, o futuro da economia argentina parece promissor apesar das aparentes contradições.

Do lado brasileiro, frente ao resultado de janeiro, o déficit menos intenso refletiu principalmente: (i) a elevação do saldo comercial, que passou de US$ 424 milhões para US$ 1,2 bilhão em fevereiro; (ii) na conta de serviços, o menor déficit na conta de viagens internacionais (de US$ 1,1 bilhão para US$ 761 milhões); e (iii) na conta de rendas, a redução do saldo negativo da conta de juros, que recuou de US$ 1,8 bilhão para US$ 129 milhões, embora a conta de lucros e dividendos tenha se deteriorado em relação ao mês anterior, passando de -US$ 1,9 bilhão para -US$ 2,8 bilhões.

Por outro lado, as entradas de Investimentos Estrangeiros Diretos (IED) seguem como destaque nas contas de capital e financeira de nosso balanço de pagamentos, ajudando a mais do que compensar o déficit em conta corrente. O IED somou US$ 7,7 bilhões no período, em linha com nossas expectativas (US$ 7,3 bilhões), e superior ao registrado em fevereiro de 2010 (US$ 2,8 bilhões) e ao de janeiro (US$ 3,0 bilhões). Esperamos que essa tendência deva se manter para os próximos meses e projetamos entradas líquidas de IED de US$ 52 bilhões em 2011.
 

(*) Thiago Flores é Administrador – EAESP-FGV, Mestre em Economia de Negócios – EESP – FGV, Mestre em Finanças – IBMEC/INSPER –SP, Consultor de empresas e CFO à FF Consult ®
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