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Nova alta do IPCA & Política monetária e fiscal

Thiago Flores 

A incorporação dos reajustes em serviços e administrados no IPCA-15 de fevereiro fez com que o índice continuasse em trajetória de aceleração em relação ao resultado fechado de janeiro, conforme já esperávamos, o que justifica a expectativa de continuidade do ciclo de aperto monetário nas próximas duas reuniões do Copom, combinado com a política fiscal contracionista, nos próximos meses.

Para o encerramento de fevereiro, podemos esperar alguma desaceleração no IPCA, principalmente motivada pelo item de alimentação, que já nesta divulgação mostrou descompressão, e algum arrefecimento do grupo vestuário. O IPCA-15 de fevereiro registrou alta de 0,97%, acelerando em relação à alta de 0,83% registrada em janeiro, acumulando nos últimos 12 meses alta de 6,19%, conforme dados divulgados ontem pelo IBGE. Dentre os destaques desta divulgação, vale mencionar a elevação de 5,88% do item de educação, cujo reajuste apresentou a maior contribuição para o índice cheio; enquanto o item de transportes se manteve pressionado (+1,04%), refletindo o reajuste de tarifas de ônibus urbanos. Ao mesmo tempo, os itens de empregados domésticos (+0,91%), jogos (+6,37%) e cigarros (+1,61%) também contribuíram para a alta do índice cheio. Por outro lado, apesar de ainda se manter pressionado, o grupo alimentação revelou desaceleração, ao passar de 1,16% em janeiro para 0,57%.

Entretanto, ao longo dos próximos meses, é possível que haja alguma pressão ainda remanescente em alimentação em função do repasse da elevação nos preços de commodities no início do ano.

 Por outro lado, resgates líquidos mais elevados permitiram a redução do estoque da dívida mobiliária federal em janeiro, conforme dados divulgados ontem pelo Tesouro Nacional. O estoque da dívida pública mobiliária total se reduziu 3,84% em janeiro, em termos nominais e na margem, para R$ 1,628 trilhão, refletindo principalmente os resgates líquidos da dívida interna (R$ 76,8 bilhões) e da dívida externa (R$ 4,2 bilhões). Assim, essa redução do estoque foi principalmente motivada pelos vencimentos da dívida interna, que somaram R$ 113,6 bilhões, sendo R$ 86,8 bilhões de LTNs (títulos com remuneração prefixada).

Daqui para frente, entretanto, podemos esperar uma recomposição do estoque total, refletindo maiores emissões e menor concentração de vencimentos. Com o elevado resgate líquido de janeiro, a participação de títulos prefixados na dívida total se reduziu 36,6% em dezembro para 33,1%, ficando, por ora, abaixo do limite inferior definido pelo PAF (36%). Assim, títulos indexados a Selic e índices de preço ganharam participação. Além disso, o custo médio da dívida mobiliária interna, acumulado nos últimos 12 meses, acelerou em janeiro (de 11,83% para 11,90%), refletindo maior pressão de indexadores como a Selic e o IGP-M. Por outro lado, observamos uma elevação do prazo médio total, para 3,69 anos, ante 3,51 em dezembro. Por fim, ainda vale destacar a elevação da participação de estrangeiros como detentores da dívida interna, que passou de 11,6% para 12,0% em janeiro, em resposta à redução do estoque total, embora o montante em mãos de não-residentes ainda se mantenha praticamente estável desde o final do ano passado.

As bolsas internacionais devem operar em direções distintas, enquanto as bolsas européias mantém a tendência de queda – ainda em reflexo às preocupações com as tensões no Norte da África e no Oriente Médio –, o índice futuro da bolsa norte-americana devolve parte da queda dos últimos dias. No mercado de câmbio, o dólar se deprecia frente às demais moedas, compensando parte do movimento de ontem. O aumento da aversão ao risco deve fazer com que a bolsa doméstica registre mais um dia de queda e o real sofra ligeira depreciação frente ao dólar.
 

(*) Thiago Flores é Administrador – EAESP-FGV, Mestre em Economia de Negócios – EESP – FGV, Mestre em Finanças – IBMEC/INSPER –SP, Consultor de empresas e CFO à FF Consult ®
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ffconsult@ffconsult.com
 

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