Inércia Inflacionária, realidade ou real ameaça?
Thiago Flores
Segundo relatórios de mercado divulgados hoje, dentre eles o
Focus do Banco Central e da FGV, podemos observar que o IGP-M
apresenta alta de 1,45% neste mês de novembro, confirmando
trajetória de aceleração e superando as expectativas do mercado
de 1,35%. Em 2010, verificamos que os indicadores de inflação
não estiveram abaixo de 1% desde agosto. Isso se deve aos
produtos agrícolas principalmente, simbolizado pelas altas de
milho, soja, algodão e carnes.
O índice de preço por atacado IPA também apresenta aceleração
bem como os produtos alimentícios (0,81%). Desta tendência de
alta, não escapou o principal índice de construção civil, o
INCC, com alta de 0,36%.
A produção industrial de outubro bem como alto emplacamento de
carros justificam em parte a tendência de alta dos preços da
economia nacional, no entanto, deve-se tomar cuidado com a
memória inflacionária para que os componentes de alta não sejam
subprodutos de expectativas de alta (relatório Focus), ou seja,
a volta da inércia inflacionária.
Tomando como base o mesmo relatório, destaco a expectativa para
o IPCA de 2010 que passou de 5,58% para 5,72%, e para 2011 as
expectativas progrediram de 5,15% para 5,20%. A expectativa para
o PIB de 2010 manteve-se relativamente constante na faixa dos
7,5% para 2010 e 4,5% para 2011, mesma estabilidade para a taxa
de câmbio, para 2010, em R$/US$ 1,70, e para 2011, em R$/US$
1,75 e Selic/2010 que ficou nos seus 10,75%. No entanto,
seguindo as expectativas da inflação, para 2011, observamos alta
de 12,0% para 12,25%.
Devemos anexar que o Banco Central divulgou o aumento do crédito
total disponibilizado pelo sistema financeiro no Brasil, subindo
de 1,9% em outubro e 20,3% em doze meses, e chegando a 47,2% do
Produto Interno Bruto (PIB). O saldo de empréstimos bancários
chegou a R$ 1,645 trilhão. Reforça esta tendência a trajetória
positiva dos indicadores de renda e emprego e o aquecimento
sazonal dos negócios associados às vendas de fim de ano que
intensifica a demanda por investimento e capital de giro pelas
empresas, além de bens duráveis como carros e eletros pelas
famílias.
Em um pequeno repasse internacional, destaco que na Zona do
Euro, observa-se uma inconstância no sentimento de confiança
econômico, refletindo a instabilidade de seus países periféricos
e no Japão o setor varejista continua com decréscimo em vendas.
Em virtude do aumento do emprego nos EUA, a bolsa americana
tende a operar em alta e, por outro lado, a européia em baixa,
aguardando o destino da Irlanda e posteriormente outros países.
(*)
Thiago Flores é Administrador – EAESP-FGV, Mestre em Economia de
Negócios – EESP – FGV, Mestre em Finanças – IBMEC/INSPER –SP,
Consultor de empresas e CFO à FF Consult ®
www.ffconsult.com
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