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Inflação & China

Thiago Flores 

A surpresa com a inflação ao consumidor em janeiro, que chegou a 4,9% ante variação esperada pelo mercado de 5,4%, lembrando que no último mês do ano passado a alta havia sido de 4,6%, foi explicada em grande parte pelo componente alimentação, que mostrou uma aceleração mais moderada em relação às expectativas. Ao mesmo tempo, o item de não alimentação subiu 2,6% em janeiro, acelerando em relação ao verificado em dezembro (2,1%).

Além disso, o escritório de estatísticas da China anunciou uma mudança na ponderação dos oito componentes que formam o índice de inflação ao consumidor, fazendo com que o peso de alimentação caísse de algo próximo a 33% para 30%, ao mesmo tempo em que o componente de habitação deve ter subido na mesma intensidade. Ou seja, esta surpresa baixista com a inflação não foi explicada pela redução da participação de alimentação já que os preços de aluguéis e os serviços ligados à residência também estão pressionados. Somado a isso, a inflação ao produtor chegou a 6,6%, levemente acima das expectativas e superior à alta de 5,9% registrada em dezembro, refletindo principalmente a aceleração dos preços das commodities.

Por fim, as concessões mensais de crédito somaram RMB 1,040 trilhão no primeiro mês deste ano, discretamente inferior ao esperado pelo mercado, sugerindo que o banco central tem sido bem sucedido na sua tarefa de controlar o crédito, sem sacrificar este canal, tendo em vista que o objetivo do governo é conter apenas o crescimento sem provocar uma desaceleração muito forte. 

Resumindo, a combinação do arrefecimento da inflação com as concessões de crédito em linha com a meta do banco central deve reduzir as pressões por um aperto muito agressivo da política monetária, aliviando as preocupações com um decorrente ajuste muito forte da atividade.

De qualquer modo, por conta do período do feriado do Ano Novo chinês, quando os dados de atividade não são divulgados, devemos esperar a divulgação de fevereiro para uma melhor avaliação do cenário para inflação e atividade, sendo que acredito que as pressões inflacionárias continuarão fortes, exigindo continuidade do aperto monetário e creditício, que deverá ser gradual.

As bolsas européias e o índice futuro da bolsa norte-americana (S&P) devem operar em ligeira alta, enquanto o dólar deve perder valor frente às demais moedas. Estes movimentos refletem a melhor percepção quanto à atividade global, por conta dos dados de inflação e crédito na China, que aliviaram de certa forma as preocupações quanto à necessidade de um ajuste muito forte na atividade. Esta tendência deve se estender para o mercado doméstico, fazendo com que a bolsa brasileira feche o pregão em alta e o real se aprecie frente ao dólar.

 

(*) Thiago Flores é Administrador – EAESP-FGV, Mestre em Economia de Negócios – EESP – FGV, Mestre em Finanças – IBMEC/INSPER –SP, Consultor de empresas e CFO à FF Consult ®
www.ffconsult.com
ffconsult@ffconsult.com
 

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