Notícias internacionais e as previsões do dólar e bolsas.
Thiago Flores
A ata da última reunião de política monetária do FOMC, divulgada
ontem, não trouxe novidades no que se refere à avaliação geral
da economia norte-americana e da inflação pelo Federal Reserve.
Os membros do comitê, de maneira geral, acreditam que a
recuperação econômica está mais consistente, inclusive
reconhecendo que o mercado de trabalho tem mostrado melhor
desempenho, embora a taxa de desemprego se mantenha em patamar
elevado. Por outro lado, mantiveram a preocupação com a inflação
corrente e expectativas, sendo que, inclusive, alguns membros
consideraram a possibilidade de uma política econômica menos
acomodativa neste ano a depender das condições econômicas daqui
para frente.
Contudo, as expectativas de inflação mantiveram-se estáveis e a
maior parte do comitê avaliou que o impacto dos preços de
commodities sobre os índices de preços é temporário. Portanto, a
atual política monetária, caracterizada pela manutenção dos
juros baixos, entre zero e 0,25% ao ano, aliada ao programa de
compra de ativos iniciado em novembro do ano passado, foi
considerada adequada neste momento.
Segundo estimativa final, o PIB da Região do Euro cresceu 0,3%
na margem nos últimos três meses do ano passado, mostrando uma
ligeira desaceleração em relação ao terceiro trimestre (0,4%),
na série com ajuste sazonal, sem sofrer revisões em relação à
estimativa divulgada anteriormente. Dentre seus componentes, o
consumo das famílias mostrou a maior contribuição para o
resultado no último trimestre, ao se elevar 0,4% na margem,
enquanto os gastos do governo aumentaram 0,1%.
No setor externo, as exportações cresceram em um ritmo menor no
quarto trimestre (1,8%), mas ainda avançaram em ritmo mais forte
do que as importações (1,1% também na margem). Por fim,
compensando este resultado positivo, a categoria de
investimentos, incluindo o setor de construção, foi o mais fraco
dentre os componentes, ao registrar queda marginal de 0,5% no
quarto trimestre de 2010.
Somado a isso, as encomendas à indústria da Alemanha aumentaram
2,4% em fevereiro, após alta de 3,1% em janeiro, conforme
divulgado nesta manhã, acima das expectativas do mercado (0,5%).
A alta refletiu tanto os pedidos domésticos (que cresceram 2,6%
na margem), quanto as encomendas do exterior (2,3%); o destaque
ficou com a elevação de 4,5% das encomendas de bens de capital.
A atividade no setor industrial no Reino Unido, que nos últimos
meses crescia de forma moderada, sofreu uma forte queda em
fevereiro, conforme divulgado esta manhã pelo Escritório para
Estatísticas Nacionais (ONS). A produção industrial caiu 1,2% no
período, surpreendendo negativamente o mercado que espera uma
alta de 0,5%, ao passo que a produção do setor manufatureiro
ficou estável em fevereiro.
Por categorias, apenas a produção de bens relacionados a
investimentos apresentou resultado positivo, ao se elevar 1,1%,
enquanto a produção de bens intermediários recuou 2,5% em
fevereiro. Na mesma direção, a produção de bens duráveis e não
duráveis caiu 2,9% e 0,6%, respectivamente no período. Em
relação ao mesmo mês de 2010, a produção na indústria se
expandiu 2,4%, enquanto a produção manufatureira cresceu 4,9%,
na mesma base de comparação.
As bolsa internacionais devem operar em ligeira alta, seguindo a
tendência dos últimos dias, e o dólar perder valor frente às
demais moedas, com destaque ao euro, cuja apreciação frente à
moeda norte-americana é impulsionada pela expectativa da subida
de juros do banco central europeu. Refletindo no mercado
brasileiro, espero que a bolsa feche em alta e o real deverá
manter movimento de apreciação em relação ao dólar.
(*)
Thiago Flores é Administrador – EAESP-FGV, Mestre em Economia de
Negócios – EESP – FGV, Mestre em Finanças – IBMEC/INSPER –SP,
Consultor de empresas e CFO à FF Consult ®
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