Nova ordem macroeconômica: Inflação em alta e câmbio valorizado.
Mais sobre a zona do Euro, bolsas e juros.
Thiago Flores
As pressões de curto prazo pelo lado dos índices de preços
continuaram a puxar para cima as expectativas para a inflação
para 2011 e 2012, segundo o Relatório Focus divulgado há pouco
pelo Banco Central. A expectativa para o IPCA deste ano se
elevou de 5,75% para 5,79%, ao mesmo tempo em que, para 2012, a
mediana chegou a 4,78% ante 4,70% na semana anterior. Em relação
ao crescimento do PIB neste ano, houve estabilidade das
expectativas para 2011 e 2012, em 4,5%. Já para a taxa de
câmbio, as projeções para 2011 se moveram na direção de uma
maior apreciação, passando de R$/US$ 1,72 para R$/US$ 1,70,
sendo que as expectativas para 2012 ainda consideram uma
depreciação, atingindo R$/US$ 1,80. Por fim, as expectativas
para a taxa Selic para 2011 e 2012 se mantiveram em 12,50% e
11,25%, respectivamente.
Na zona do Euro, os sinais vindos dos indicadores de atividade
neste início de ano continuam sugerindo uma aceleração da
economia, liderada principalmente pela Alemanha, conforme
indicado pelos dados preliminares dos índices PMI dos setores de
manufaturas e serviços de fevereiro da Zona do Euro e Alemanha.
O PMI de manufaturas da região avançou para 59,0 pontos no
período, de 57,3 em janeiro, assim como o índice para o setor de
serviços que passou de 55,9 pontos para 57,2 em fevereiro. Com
este resultado, o PMI composto da Zona do Euro passou de 57,0
pontos em janeiro para 58,4 este mês. Da mesma forma, o PMI de
manufaturas da Alemanha acelerou, passando de 60,5 pontos para
62,6 no período. Já o PMI de serviços, caminhou na direção
contrária e mostrou uma leve desaceleração, passando de 60,3 em
janeiro para 59,5 pontos em fevereiro. Em linha com os
indicadores de atividade, o resultado das pesquisas de
sentimento dos empresários na Alemanha confirmou as perspectivas
mais favoráveis para a economia no primeiro trimestre deste ano,
especialmente quanto ao mercado de trabalho e à produção da
indústria. O indicador IFO de sentimento econômico atingiu 111,2
pontos este mês, ante 110,3 em janeiro, acima da estabilidade
esperada pelo mercado. O índice de condições atuais, que
impulsionou o resultado geral, acelerou para 114,7 pontos em
fevereiro, enquanto o componente de expectativas ficou
praticamente estável em 107,9 pontos no período.
As bolsas européias devem operar em baixa e o dólar ganhar valor
frente às demais moedas, refletindo o aumento na aversão dos
investidores por conta da nova onda de protestos no Norte da
África e no Oriente Médio. Este aumento da aversão ao risco,
somado ao baixo volume de negócios por conta do feriado nos EUA,
deve fazer com que a bolsa brasileira registre ligeira queda e o
real se deprecie discretamente frente ao dólar no pregão de
hoje. Por fim, no mercado doméstico de juros futuros, espero
abertura em todos os vencimentos, refletindo a continuidade de
piora na expectativa de inflação.
(*)
Thiago Flores é Administrador – EAESP-FGV, Mestre em Economia de
Negócios – EESP – FGV, Mestre em Finanças – IBMEC/INSPER –SP,
Consultor de empresas e CFO à FF Consult ®
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