Destaque de Hoje: Produção Industrial cresce 0,5%
Thiago Flores
Segundo o divulgado pela FGV, o Índice de Confiança de Serviços
(ICS) da Fundação Getulio Vargas elevou-se em 3,0% entre março e
abril de 2011, ao passar de 131,3 para 135,3 pontos.
O índice atual é o terceiro maior da série, ficando abaixo
somente dos de março de 2010 (135,5) e de agosto de 2008
(138,4). Medido em termos de média móvel trimestral, o índice de
abril de 2011 (133,5 pontos) é o maior desde maio de 2010
(134,3).
O aumento da confiança em abril foi influenciado pela melhora
das avaliações no momento presente. O Índice da Situação Atual
(ISA-S) avançou 5,5%, após perder 4,0% em março. Essas duas
variações mais acentuadas do ISA-S nos meses de março e abril
reforçam a impressão de uma influência sazonal mais marcante,
pelo fato de este ano o carnaval ter caído em março. O ISA
passou para 121,8 pontos, o maior desde dezembro de 2010
(128,9), superando em 2,4 pontos percentuais o de abril de 2010.
O IE-S elevou-se em 1,2%, atingindo 148,9 pontos, o maior desde
março de 2010 (153,0) e ligeiramente acima do mesmo período do
ano anterior (148,6).
O quesito nível de demanda atual foi o que mais contribuiu para
o aumento do ISA-S entre março e abril, recuperando-se da perda
ocorrida no mês anterior. O indicador do quesito elevou-se em
5,9% ao saltar para 114,7 pontos após cair 4,8% em março. Das
2.370 empresas consultadas, 26,2% consideram a demanda atual
como forte (contra 23,8% no mês anterior), enquanto 11,5% a
avaliam como fraca (contra 15,5%).
O indicador que mede o grau de otimismo dos empresários em
relação ao ambiente dos negócios nos seis meses seguintes foi o
que mais influenciou o IE-S, com um crescimento de 1,8%, ao
passar para 149,4 pontos. A proporção de empresas que prevêem
melhora dos negócios aumentou de 50,7% para 52,1% entre março e
abril; a parcela das que esperam piora diminuiu de 3,9% para
2,4% do total, o mais baixo percentual desde março de 2010
(2,4%).Entre
as categorias de uso, ainda na comparação com fevereiro, os
setores produtores de bens de consumo duráveis (4,1%) e de bens
de capital (3,4%) registraram as taxas mais elevadas. O primeiro
eliminou a perda de 1,1% observada no mês anterior, e o segundo
acumulou ganho de 7,4% em três meses consecutivos de expansão.
Estes segmentos atingiram o patamar mais elevado desde o início
da série histórica. A produção de bens de consumo semi e não
duráveis também cresceu (1,0%), mas o setor de bens
intermediários (-0,2%) apontou o único resultado negativo de
março, após crescer 1,3% em fevereiro.
Frente a março de 2010, a produção industrial recuou 2,1%,
interrompendo 16 meses seguidos de taxas positivas. Vale
destacar que março desse ano teve dois dias úteis a menos do que
em 2010.
Os índices por categorias de uso, ainda na comparação com março
de 2010, confirmam o perfil de predomínio de taxas negativas no
setor industrial em março de 2011, com bens de consumo duráveis
(-5,2%) e bens de consumo semi e não duráveis (-3,7%)
registrando ritmo de queda superior ao do total da indústria
(-2,1%), enquanto bens intermediários (-0,4%) e bens de capital
(-0,1%) assinalaram perdas mais moderadas.
O segmento de bens de consumo duráveis apontou a redução mais
elevada entre as categorias de uso, pressionado em grande parte
pelos recuos na fabricação de automóveis (-7,8%),
eletrodomésticos (-14,0%), tanto os da “linha branca” (-9,6%)
como os da “linha marrom” (-30,5%), e artigos do mobiliário
(-18,1%). Nessa categoria, as pressões positivas vieram da maior
fabricação de telefones celulares (24,7%) e de motocicletas
(23,9%). A produção de bens de consumo semi e não duráveis
também mostrou queda acima da média global e foi influenciada
pelos recuos nos grupamentos de outros não duráveis (-6,2%),
semiduráveis (-10,7%) e alimentos e bebidas elaborados para
consumo doméstico (-1,7%), explicados pela menor produção dos
itens medicamentos e livros; roupas de banho de algodão e
calçados de plástico e couro; e refrigerantes. O subsetor de
carburantes (7,0%) apontou o único impacto positivo nessa
categoria de uso.
Ainda no confronto com março de 2010, com perda abaixo do total
da indústria figuraram os setores produtores de bens
intermediários (-0,4%) e de bens de capital (-0,1%). No primeiro
segmento, as influências negativas vieram dos produtos
associados às atividades de outros produtos químicos (-8,9%),
têxtil (-14,0%) e alimentos (-3,9%), enquanto as principais
pressões positivas foram registradas em refino de petróleo e
produção de álcool (16,9%), metalurgia básica (2,6%), veículos
automotores (3,9%) e minerais não metálicos (2,9%). Nessa
categoria de uso, os resultados negativos dos grupamentos de
insumos para construção civil (-1,0%) e de embalagens (-0,9%)
interromperam respectivamente sequência de 16 e 17 meses de
taxas positivas nesse tipo de comparação. O desempenho negativo
do segmento de bens de capital foi influenciado pelas quedas em
bens de capital para energia elétrica (-17,2%) e para uso misto
(-6,7%), uma vez que os demais subsetores apontaram avanço na
produção: bens de capital para transporte (5,5%), para
construção (21,5%), para fins industriais (4,0%) e agrícolas
(0,5%).
(*)
Thiago Flores é Administrador – EAESP-FGV, Mestre em Economia de
Negócios – EESP – FGV, Mestre em Finanças – IBMEC/INSPER –SP,
Consultor de empresas e CFO à FF Consult ®
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