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Projeção de crescimento do PIB sofre deterioração! Veja mais sobre as expectativas de outra variáveis e mercados.

Thiago Flores 

A estabilidade das expectativas de inflação para 2011 e 2012, após semanas de incorporação de resultados mais pressionados no curto prazo, e a queda da projeção do PIB para este ano são os destaques do Relatório Focus, divulgado há pouco pelo Banco Central, referente à semana até 25 de fevereiro. A expectativa para o IPCA deste ano passou de 5,79% para 5,80%, enquanto que, para 2012, a mediana se manteve em 4,78%.

Ao mesmo tempo, a desaceleração da atividade econômica neste início de ano, liderada pelo setor industrial, começou a ser incorporada nas expectativas de crescimento do PIB, que, para este ano, passaram de 4,5% para 4,3%, enquanto que, para 2012, houve estabilidade das expectativas, em 4,5%. Já para a taxa de câmbio, as projeções para 2011 e 2012 também ficaram praticamente estáveis em R$/US$ 1,70 e R$/US$ 1,79, respectivamente. Por fim, as expectativas para a taxa Selic para 2011 e 2012 permaneceram em 12,50% e 11,25%, nesta ordem.

A decisão do Copom nesta semana – para a qual se espera uma elevação de 50 bps – deverá ser pautada pelo arrefecimento da atividade, que será confirmada pelo resultado da produção industrial de janeiro, a despeito da inflação que seguirá em níveis elevados.

Após acomodação em janeiro, a confiança do empresário industrial e a utilização da capacidade instalada continuam sugerindo que a indústria se manteve enfraquecida em fevereiro, conforme divulgado há pouco pela Sondagem da Indústria da FGV. O Índice de Confiança da Indústria mostrou queda de 0,3% em relação a janeiro, quando havia se contraído 1,5%, mesmo ainda consistindo num nível historicamente elevado. O resultado deveu-se à estabilidade do componente de situação atual e à queda de 0,7% do Índice de Expectativas. Neste caso, vale destacar a proporção de empresas que espera elevar sua produção nos próximos seis meses, que se retraiu de 43,7% em janeiro para 37,9% em fevereiro. Na mesma direção, o Nível de Utilização da Capacidade Instalada passou de 84,7% em janeiro para 84,5% em fevereiro, com ajuste sazonal.

Assim, levando em conta esses indicadores, mantém-se a avaliação de que a produção da indústria deverá mostrar acomodação no primeiro trimestre deste ano.

Por outro lado, o resultado do Setor Público Consolidado (que agrega as contas do governo central, governos regionais e empresas estatais federais) somou R$ 17,7 bilhões em janeiro, o segundo maior saldo positivo para o mês, conforme dados divulgados pelo Banco Central na última sexta-feira. De forma desagregada, o Governo central apresentou superávit de R$ 13,8 bilhões, enquanto governos regionais (estados e municípios) mostraram superávit de R$ 4,5 bilhões e empresas estatais (excluindo Petrobras e Eletrobras) registraram déficit de R$ 0,5 bilhão.

As bolsas internacionais devem operar em baixa refletindo as incertezas decorrentes da continuidade das tensões no Norte da África e no Oriente Médio, ao mesmo tempo em que o preço do petróleo segue em alta e o dólar perde valor frente às demais moedas. Essa tendência deve se estender para o mercado doméstico, mantendo a volatilidade elevada, fazendo com que a bolsa brasileira feche o dia em ligeira queda e o real sofra ligeira apreciação frente ao dólar.
 

(*) Thiago Flores é Administrador – EAESP-FGV, Mestre em Economia de Negócios – EESP – FGV, Mestre em Finanças – IBMEC/INSPER –SP, Consultor de empresas e CFO à FF Consult ®
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