Projeções ajustam para cima as estimativas da inflação de 2011
Thiago Flores
Após discreto ajuste para baixo das expectativas de inflação
para este ano, verificado na semana passada, as estimativas para
o IPCA em 2011 voltaram a ser revisadas para cima, enquanto as
projeções para o PIB seguem recuando, conforme o Relatório
Focus. A expectativa para o IPCA deste ano passou de 5,78% para
5,82%, mantendo-se estável em 4,80% para 2012. Ao mesmo tempo,
manteve-se a expectativa de desaceleração da atividade econômica
neste e no próximo ano; a projeção para o PIB de 2011 mostrou
queda de 4,29% para 4,10%, sendo que, para 2012, houve ligeira
retração, de 4,5% para 4,45%. Para a taxa de câmbio, as
projeções para 2011 ficaram estáveis em R$/US$ 1,70, ao passo
que, para 2012, as expectativas passaram de R$/US$ 1,77 para
R$/US$ 1,75 na última semana. Por fim, as expectativas para a
taxa Selic para 2011 e 2012 permaneceram em 12,50% e 11,25%,
respectivamente.
Ainda se espera que sejam confirmados: (i) recuperação das
vendas no varejo em janeiro, para a qual estimamos alta de 0,8%
na margem, após estabilidade em dezembro, a ser conhecida na
terça-feira; (ii) índice de IBC-Br de atividade de janeiro,
ainda sem data definida de divulgação pelo Banco Central, mas
que deve mostrar expansão moderada, incorporando o crescimento
mais tímido da indústria no início do ano; e (iii) o resultado
da geração líquida de empregos formais ainda deverá ser forte,
mas refletindo a antecipação de contratações em fevereiro, por
conta do feriado do carnaval em março, conforme será divulgado
na terça-feira pelo Caged. Já os indicadores de inflação
referentes a março, deverão, de maneira geral, se mostrar menos
pressionados do que janeiro e fevereiro, por conta do componente
de alimentação em desaceleração e pela dissipação dos reajustes
de início de ano. Com isso, destacamos o IGP-10 da FGV, na
quarta-feira e a segunda prévia do IGP-M de março, na
sexta-feira. Na agenda internacional, por sua vez, os mercados
acompanharão nos EUA: (i) a decisão de juros do FOMC na
terça-feira; (ii) o índice de atividade Empire Manufacturing e
do Fed Filadelfia, ambos de março, que deverão dar os primeiros
sinais da atividade manufatureira no período; (iii) o resultado
da produção da indústria de fevereiro na quinta-feira; e (iv) o
índice de preços ao consumidor de fevereiro, também na
quinta-feira. Para a Zona do Euro, a semana será mais tranquila,
com destaque para a inflação ao consumidor de fevereiro.
As bolsas internacionais devem operar no campo negativo e o
dólar ganhar valor frente às demais moedas, refletindo a
preocupação com os desdobramentos do desastre sísmico ocorrido
no Japão sobre a economia japonesa e global. Espera-se que este
aumento na aversão ao risco faça com que a bolsa brasileira
opere no campo negativo e o real sofra ligeira depreciação
frente ao dólar.
(*)
Thiago Flores é Administrador – EAESP-FGV, Mestre em Economia de
Negócios – EESP – FGV, Mestre em Finanças – IBMEC/INSPER –SP,
Consultor de empresas e CFO à FF Consult ®
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