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Sigam as últimas do Copom. Inflação acelera! Acompanhe também confiança do consumidor, demanda, crédito e muito mais!

Thiago Flores 

Segundo a ata da última reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), divulgada há pouco pelo Banco Central, a decisão de iniciar novo ciclo de elevação da taxa Selic neste mês é justificada pela evolução desfavorável do cenário prospectivo de inflação desde o encontro de dezembro, destacando que as suas projeções para a inflação pioraram desde então. Ao mesmo tempo, o documento voltou a apontar que são relevantes os riscos derivados da persistência do descompasso entre as taxas de crescimento da oferta e da demanda. No que tange à atividade econômica, a ata destacou que as perspectivas continuam favoráveis nos próximos trimestres, mas que o Copom trabalha com alguma moderação na expansão do crédito, para a qual “contribuem as ações macroprudenciais recentemente adotadas”. Olhando para frente, a ata deixa as portas abertas em relação às próximas decisões, mas condicionando-as aos desenvolvimentos do “âmbito fiscal”.

O IPC-FIPE referente à terceira semana do mês apresentou alta de 1,03%, continuando em trajetória ascendente esperada para este mês por conta dos reajustes de educação e transportes, que contribuíram para a aceleração do índice (0,86% na semana anterior). Os reajustes de educação levaram o grupo para alta de 4,27% na terceira semana, ao passo que a incorporação das novas tarifas de ônibus urbano e táxi aceleraram o grupo de transportes para 2,37%. Por outro lado, o grupo alimentação agiu no sentido contrário, desacelerando para 1,26% e contribuindo para que o resultado do índice não fosse ainda mais pressionado. Também nesse sentido, destaque para a intensificação da deflação de vestuário (-0,10%). O resultado do encerramento do mês ainda deverá refletir a continuidade desses movimentos, por isso, o índice só deverá começar a arrefecer em fevereiro.

A confiança do consumidor manteve-se em patamar elevado no começo deste ano, conforme divulgado há pouco pela Fundação Getúlio Vargas (FGV). O Índice de Confiança do Consumidor (ICC) ficou praticamente estável, em 121,6 pontos em janeiro (frente a 121,7 pontos registrados no mês passado), na série com ajuste sazonal. Vale destacar que o nível da confiança permanece em patamar bastante elevado, o que não altera as perspectivas favoráveis para a demanda doméstica, que deverá se manter forte ao longo dos próximos trimestres.

O ritmo de expansão do crédito em 2010 foi notável, favorecido tanto pela categoria de pessoa física quanto à pessoa jurídica. Esse desempenho foi favorecido pela forte recuperação da atividade econômica ao longo do ano, com destaque para o mercado de trabalho, confiança do consumidor e da indústria e condições bastante favoráveis ao investimento. O estoque de crédito total cresceu 20,5% no ano passado, em termos nominais, para R$ 1,704 trilhão, passando de 44,4% do PIB em dezembro de 2009 para 46,6% em dezembro de 2010, conforme indicado pela Nota à Imprensa de Política Monetária e Operações de Crédito do Sistema Financeiro Nacional, divulgada ontem pelo Banco Central. A carteira de pessoa física apresentou crescimento mais expressivo, com alta de 18,8% no ano, sendo motivada pelo crédito pessoal e veículos, enquanto a categoria de pessoa jurídica, impulsionada pelo capital de giro, se expandiu 15,4%. Vale ressaltar também o desempenho excepcional do crédito habitacional e do BNDES ao longo do ano. Além disso, as sinalizações obtidas pelas taxas de inadimplência continuaram favoráveis, sendo que a inadimplência à pessoa física recuou de 5,9% em novembro para 5,7% em dezembro, o que equivale a uma queda de 2,0 p.p. em relação a dezembro de 2009; ao passo que a inadimplência de pessoa jurídica ficou estável em 3,6% na margem, recuando 0,2 p.p. ante 2009.

O fluxo cambial ficou positivo em US$ 4,020 bilhões na terceira semana de janeiro, de acordo com dados divulgados ontem pelo Banco Central. O resultado é decorrente do ingresso líquido de US$ 4,981 bilhões na conta financeira e da saída líquida de US$ 960 milhões na conta comercial, com exportações e importações que somaram US$ 2,751 bilhões e US$ 3,711 bilhões, respectivamente. No acumulado até a terceira semana, o fluxo foi superavitário em US$ 9,205 bilhões, resultado do fluxo financeiro positivo em US$ 8,948 bilhões e de um fluxo comercial superavitário de US$ 257 milhões.

As bolsas internacionais: as bolsas européias devem operar em alta enquanto o índice futuro da bolsa norte-americana (S&P) deve registrar ligeira queda, refletindo a expectativa negativa quanto aos dados dos EUA a serem conhecidos hoje. No mercado de câmbio, o dólar deve ganhar valor frente às demais moedas, em movimento de aversão ao risco, por conta do rebaixamento da nota de crédito da dívida soberana do Japão por uma agência de classificação de risco. Assim, no mercado doméstico, espero que o real se deprecie frente ao dólar e a bolsa brasileira devolva parte da queda do pregão de ontem.

 
(*) Thiago Flores é Administrador – EAESP-FGV, Mestre em Economia de Negócios – EESP – FGV, Mestre em Finanças – IBMEC/INSPER –SP, Consultor de empresas e CFO à FF Consult ®
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ffconsult@ffconsult.com
 

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