Superávit do setor público de 2010 deve diminuir em 2011.
Confira também aceleração do IPC, renda, emprego, previdência
social e bolsas!
Thiago Flores
O setor público consolidado apresentou superávit primário de R$
101,7 bilhões em 2010, o que equivale a 2,8% do PIB, superior
aos 2,0% do PIB registrados em 2009, conforme os indicadores
divulgados pelo Banco Central. Para o resultado fechado, o
Governo Central atingiu a meta de 2,15% do PIB, enquanto que os
governos regionais e estatais apresentaram resultado pouco
abaixo do esperado, com superávits de 0,56% e 0,06% do PIB,
respectivamente.
Excluindo-se as receitas resultantes do processo de
capitalização da Petrobras em setembro, que contribuíram com 0,9
p.p. do total, obtivemos um superávit primário próximo de 1,9%
do PIB no ano passado. Especificamente em dezembro, o resultado
fiscal de R$ 10,9 bilhões representou um recorde para os últimos
meses do ano e foi impulsionado pelas contas do Governo Central
- somando Tesouro Nacional, Previdência e Banco Central –
chegando ao superávit de R$ 15,8 bilhões, refletindo o
crescimento de 8,7% e 8,4% das receitas líquidas e das despesas
totais, respectivamente, em termos reais em relação a 2009.
Esse saldo positivo, por sua vez, foi compensado pelo desempenho
dos governos regionais (estaduais e municipais) cujo resultado
ficou negativo em R$ 3,9 bilhões no período, e pelo saldo
levemente negativo das empresas estatais (-R$ 0,6 bilhão). De
forma geral, para que superávit alcance a meta de 3,1% do PIB em
2010, seria necessário um desconto equivalente a 0,32 p.p. das
despesas do PAC (de um total de 0,9 p.p. passíveis de serem
utilizados).
Já para 2011, espera-se que o resultado primário do setor
público fique em 2,7% do PIB, o que já leva em conta uma
desaceleração tanto das receitas totais, em linha com o
crescimento mais moderado do PIB, quanto das despesas totais,
resultante do comprometimento da União com o controle das
despesas.
O IPC-S de janeiro apresentou alta de 1,27%, superando nossas
projeções e a mediana do mercado (1,22%) e continuando sua
trajetória de aceleração em relação às semanas anteriores. Mesmo
com desaceleração significativa em alimentação – que encerrou o
mês com alta de 1,36% – os reajustes concentrados nesse mês
contribuíram para o resultado pressionado.
O grupo educação apresentou alta de 4,01%, refletindo os
reajustes de cursos, ao passo que o grupo transportes subiu para
2,69%, por conta de reajustes em ônibus e taxi em algumas
cidades. Além disso, habitação (0,34%), por conta de aluguel
acelerando, e despesas diversas (1,25%), refletindo reajuste de
jogos lotéricos, também pressionaram o índice. Os próximos
resultados deverão, gradualmente, mostrar descompressão nos
principais vetores de aceleração de janeiro, contribuindo para
resultados menores.
A expansão do emprego e da renda ao longo do ano passado deu
sustentação ao crescimento das vendas dos supermercados, embora
a aceleração da inflação no segundo semestre do ano, concentrada
em preços dos alimentos, tenha impedido crescimento ainda mais
expressivo das vendas. As vendas reais dos supermercados se
expandiram 4,2% em 2010, segundo os dados divulgados ontem pela
Associação Brasileira de Supermercados (Abras), aquém do
crescimento de 5,5% registrado em 2009. Daqui para frente, com a
manutenção das condições de renda favoráveis, as vendas dos
supermercados deverão continuar em patamar bastante elevado.
O Regime Geral de Previdência Social apresentou déficit de R$
42,8 bilhões em 2010, o que, em termos reais, significou uma
retração real de 4,5% frente a 2009, quando deflacionado pelo
INPC, conforme divulgado ontem pelo Ministério da Previdência. O
saldo negativo, contudo, em termos nominais, se manteve
praticamente estável ao de 2009, e resultou de uma arrecadação
líquida total de R$ 212,0 bilhões no total do ano, enquanto que
os gastos se mantiveram elevados, acumulando no ano R$ 255
bilhões. Em termos reais, a arrecadação de contribuições
previdenciárias se elevou 10,7%, seguindo o forte momento de
expansão da formalização do mercado de trabalho e da geração de
vagas que marcou 2010, ao mesmo tempo em que os pagamentos de
benefícios avançaram 7,8%, acompanhando os reajustes reais do
salário mínimo, ao qual são atrelados, assim como o de
aposentados que recebem mais que um mínimo. Considerando o
regime urbano de previdência, entretanto, vale notarmos que
houve um superávit de R$ 14,2 bilhões em 2010, quando excluímos
os pagamentos de sentenças judiciais, compensando o resultado
negativo da previdência rural (R$ 5,2 bilhões, na mesma base de
comparação). Somente em dezembro, o resultado da previdência
social foi positivo em R$ 3,4 bilhões, refletindo uma
arrecadação líquida de R$ 30,7 bilhões, e pagamentos totais de
R$ 27,0 bilhões, sazonalmente mais elevados que novembro (R$
17,0 bilhões e R$ 22,3 bilhões, respectivamente), por conta
tanto do pagamento de benefícios quanto da arrecadação extra
relacionados ao 13º salário de beneficiários.
As bolsas européias e o índice futuro da bolsa norte-americana
(S&P) devem operar em alta, refletindo a confirmação do bom
resultado dos PMIs na Região do Euro, apesar do desempenho mais
fraco apresentado pelo PMI da China. No mercado de câmbio o
dólar deve perder valor frente às demais moedas, mantendo o
movimento dos últimos dias. Ao longo do dia, teremos a
divulgação do índice ISM que deverá reforçar a tendência da
abertura. Extrapolando para o mercado doméstico, espero que a
bolsa feche o dia no campo positivo e que o real mostre ligeira
apreciação no pregão hoje.
(*)
Thiago Flores é Administrador – EAESP-FGV, Mestre em Economia de
Negócios – EESP – FGV, Mestre em Finanças – IBMEC/INSPER –SP,
Consultor de empresas e CFO à FF Consult ®
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