Alemanha, Japão, Reino Unido e o movimento das bolsas e câmbio!
Thiago Flores
O índice GFK de confiança do consumidor para abril mostrou uma
ligeira queda, motivado principalmente pelo receio dos
consumidores alemães com a inflação, conforme sugerido pelo
Instituto GFK, lembrando que a abertura dos dados referentes a
abril ainda não está disponível. O indicador passou de 6,0
pontos em março para 5,9 em abril, praticamente em linha com as
expectativas do mercado (5,8). A abertura do dado, só disponível
para março, mostrou que o indicador de expectativas econômicas
recuou de 57,1 para 49,5 pontos no período. Na mesma direção, as
expectativas de renda e a intenção de compra dos consumidores
caíram na margem para 40,5 e 34,3 pontos, respectivamente.
Vale citar que, de acordo com o instituto, o potencial impacto
do desastre no Japão ainda não foi levado em conta pela
pesquisa, podendo afetar negativamente o índice nos próximos
meses.
As vendas no varejo japonesas mostraram leve crescimento na
margem em fevereiro, de 0,8% em termos dessazonalizados, e
desaceleraram em relação ao resultado de janeiro (4,0%). Apesar
disso, a trajetória de gradual recuperação do consumo no país,
que vinha se desenhando nos últimos meses, deverá ser revertida
no curto prazo, devido aos efeitos negativos do terremoto
ocorrido no início de março, sobre os gastos e a confiança do
consumidor. Vale notar que o resultado de fevereiro refletiu o
crescimento de 7,2% ante janeiro da categoria de máquinas e
equipamentos, enquanto as vendas relacionadas à alimentação se
retraíram 0,2% na mesma base de comparação.
Ao mesmo tempo, o mercado de trabalho japonês também evoluiu
favoravelmente em fevereiro, embora deva ser afetado pelo
impacto da tragédia no resultado do mês seguinte. Observamos uma
retração de 0,3 p.p. da taxa de desemprego, para 4,6% no
período. Esta queda foi resultado do crescimento de 0,6% na
margem do número de empregados, o que inclusive mostrou
aceleração em relação ao ritmo de janeiro (0,3%).
Confirmando as expectativas de um arrefecimento da atividade
econômica no Reino Unido, prejudicada principalmente pelo
inverno mais rigoroso do que o normal que atingiu alguns países
europeus no final do ano passado, o PIB no Reino Unido registrou
queda marginal de 0,5% no período entre outubro e dezembro,
sofrendo uma ligeira revisão em relação à estimativa divulgada
anteriormente (-0,6%), informou Escritório para Estatísticas
Nacionais.
Pelo lado da contribuição do setor externo, as importações
aumentaram em um ritmo maior do que o das exportações, avançando
3,2% e 1,7%, respectivamente nos últimos três meses do ano
passado em relação ao trimestre anterior. O consumo doméstico,
por sua vez, recuou 0,3%, enquanto os gastos do governo
aumentaram 0,4%, na mesma base de comparação. Já o componente de
investimentos, que registrou queda de 1,8%, foi o mais
prejudicado no período, conforme já divulgado previamente. Em
comparação com mesmo trimestre de 2009, o PIB cresceu 1,5%, sem
sofrer revisões.
As bolsas internacionais devem operar em direções distintas:
enquanto as bolsas européias registram ligeira queda, o índice
futuro da bolsa norte-americana (S&P) recompõe parte da queda do
pregão de ontem. No mercado de câmbio, o dólar deve ganhar valor
frente às demais moedas. Esses movimentos seguem a tendência dos
últimos dias, refletindo uma ligeira melhora na percepção da
economia norte-americana e a deterioração da expectativa quanto
ao problema fiscal na periferia européia.
No mercado doméstico, acredito que essa instabilidade nos
mercados e consequente aumento de aversão ao risco, poderão
fazer com que a bolsa registre uma ligeira queda e o real se
deprecie frente ao dólar.
(*)
Thiago Flores é Administrador – EAESP-FGV, Mestre em Economia de
Negócios – EESP – FGV, Mestre em Finanças – IBMEC/INSPER –SP,
Consultor de empresas e CFO à FF Consult ®
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