Em 2011, o valor pago em impostos pelos brasileiros
atingiu 33,99% do PIB. O número é por si só assustador.
Foi este o índice atingido pela carga tributária paga
pelo contribuinte brasileiro ao governo no ano de 2011.
O fisco arrecadou R$ 1,51 trilhão. Em 2010 a carga
tributária já havia atingido a marca de 32,72% do PIB.
Puxaram o porcentual para cima os impostos ligados à
renda e tributos relacionados à folha de salários e a
bens e serviços.
Para as empresas que precisam aumentar o número
de funcionários, o que mais tem desestimulado a
contratação é o peso dos encargos sobre a folha de
pagamento. Segundo um levantamento feito pelo Instituto
Brasileiro de Planejamento Tributário (IBPT), um
empregado que tem na carteira de trabalho um salário de
R$ 1.000 recebe, líquido, R$ 840. Já o empregador
desembolsa R$ 1.439,50 para pagar esse salário. Somados
os impostos pagos pelo empregador e pelo empregado, o
governo arrecada R$ 599,50, ou 59,95% do valor do
salário, sempre que esse empregado é remunerado.
Segundo o presidente do Sescap-Ldr, Marcelo
Odetto Esquiante, estes números, quando chegam às mãos
do empresário, assustam e se transformam num grande
problema. Para tentar escapar da alta carga tributária,
as empresas usam alguns artifícios como contratar
funcionários como sendo pessoa jurídica, o que implica
em tributos menores.
''O excesso de impostos pagos no Brasil é
indiscutível. Quando o assunto é carga tributária sobram
números absurdos e exemplos capazes de tirar do sério
qualquer contribuinte. E isso tem levado alguns
empresários a buscarem alternativas. Uma delas é
incentivar o funcionário a abrir uma empresa e prestar
serviços como pessoa jurídica'', diz Marcelo Esquiante.
Conforme o presidente do Sescap-Ldr o risco deste
procedimento é o ex-funcionário entrar na justiça do
trabalho alegando que, apesar de ser ''pessoa
jurídica'', é empregado da empresa. ''Isso tem provocado
intermináveis discussões na Justiça'', diz Esquiante
Empresas que tentam driblar essa tributação e
contratando funcionários informalmente acabam sendo
autuadas pela Receita Federal. ''A Receita alega que a
contratação como pessoa jurídica, prática conhecida como
PJ, não caracteriza contribuição efetiva de terceiros e
nem é prestação temporária de serviços'', diz a
vice-presidente do Instituto Brasileiro e Planejamento
Tributário (IBPT), Letícia do Amaral.
''Mas engana-se quem pensa que a alta carga
tributária pesa no bolso só dos grandes empresários.
Pelo contrário, a conta é paga por toda a população e é
a classe média, por destinar a maior parte da sua renda
ao consumo, a mais afetada pela avassaladora onda de
tributos'', lembra Esquiante.
Neste final de semana a Federação das Indústrias
do Paraná, em parceria com a Federação dos Trabalhadores
nas Indústrias do Estado do Paraná (Fetiep), vai
promover o movimento A Sombra do Imposto. Cartilhas,
panfletos e adesivos serão entregues aos veranistas no
litoral paranaense, mostrando que o peso dos tributos
está presente inclusive em momentos de lazer. Segundo
pesquisa, a carga tributária média sobre produtos
típicos desta época do ano chega a 45%.
O presidente da Fiep, Edson Campagnolo, afirma
que, com a ação, Fiep e Fetiep não se colocam contra o
pagamento de impostos. ''O que defendemos é uma carga
tributária mais justa, que melhore o ambiente de
negócios e contribua, assim, para a geração de mais
empregos e renda, garantindo o crescimento sustentável
do país'', afirma.
Fonte:
Sindicato das Empresas de Consultoria, Assessoria,
Perícias e Contabilidade de Londrina - Sescap-Ldr
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