IPCA & IGP permanecem elevados! Produção & vendas de veículos desaceleram!

Thiago Flores 

Conforme dados divulgados hoje, o IPCA subiu 0,83% em janeiro, mantendo a atenção no monitoramento para o cenário prospectivo. Para fevereiro, não se aguardam grandes alívios já que novos reajustes, em especial de educação, serão incorporados e os preços de alimentação permanecem pressionados, mesmo considerando um alívio recente no mercado doméstico, lembrando que as cotações internacionais seguem em níveis altos. Diante disso, mantém a visão de continuidade do ciclo de aperto monetário, combinado com a política fiscal contracionista.

A abertura por grupos revelou aceleração do item de transportes de +0,29% em dezembro para 1,55% em janeiro, influenciado pelo reajuste das tarifas de ônibus urbanos. O grupo de alimentação registrou alta de 1,16%, mas desacelerando em relação a dezembro (+1,32%). O grupo vestuário, por sua vez, manteve-se em trajetória de descompressão, ao passar de alta de 1,34% em dezembro para 0,12%, seguindo o padrão sazonal.

Seguindo a mesma tendência, o IGP-DI de janeiro apresentou alta de 0,98% em janeiro, em forte aceleração em relação ao resultado do mês anterior (0,38%), dando continuidade à trajetória ascendente dos preços agrícolas e mostrando incorporação do reajuste do primeiro trimestre de minério de ferro. O IPA agrícola apresentou alta de 1,90%, com pressões vindas das principais commodities agrícolas, como milho, trigo e algodão, além da deflação bastante menor de bovinos. Além disso, o IPA industrial também está em aceleração, chegando a 0,62%. Esse resultado é bastante influenciado pelo novo reajuste de minério de ferro, além de aceleração de preços de produtos têxteis e de artigos de vestuário; nessa divulgação, também já pudemos observar os impactos do reajuste de preços de fumo. Por outro lado, o índice ainda mostra resultado mais ameno para produtos alimentícios e desaceleração importante de produtos químicos. O IPC, que mede a inflação no varejo, registrou alta de 1,27%, refletindo reajustes de tarifas de transportes e educação. Por fim, o INCC registrou alta de 0,41%, com forte descompressão de mão de obra. Nas próximas divulgações, ainda deveremos observar resultados pressionados para os IGPs, tendo em vista a continuidade da incorporação do reajuste de minério de ferro e os preços agrícolas ainda pressionados.

De outro lado, verificou-se enfraquecimento das vendas de veículos em janeiro refletiu, em parte, devido as medidas macroprudenciais implementadas pelo Banco Central em dezembro do ano passado, o que deve sugerir uma moderação no ritmo expansionista do setor, tanto das vendas como da produção, ao longo dos próximos meses. As vendas de veículos ao mercado interno – considerando automóveis, comerciais leves, caminhões e ônibus – apresentaram contração de 13,7% em janeiro, segundo dados divulgados pela Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea). Parte deste recuo se deve à retração das vendas de automóveis e de comerciais leves, de 15,6% e 9,4%, respectivamente; as vendas de caminhões apresentaram retração de 9,6%. Comparativamente ao mesmo período do ano passado, observamos ampliação de 14,8% das vendas totais em janeiro, refletindo a reduzida base de comparação, no período em que muitos consumidores decidiram adiar a compra de veículos, por conta da prorrogação do IPI reduzido para esses bens para março de 2010.

Refletindo o desempenho das vendas domésticas, a produção nacional de veículos totalizou 261,8 mil unidades em janeiro, recuando 7,6% ante dezembro na série com os ajustes sazonais, ainda que na comparação interanual o crescimento tenha chegado a 6,4%. A maior queda na margem foi verificada na produção de comerciais leves, de 21,5%, seguida por ônibus (-18,1%) e caminhões (-10,3%), ao passo que a produção de automóveis foi a que registrou menor queda na margem, de 5,2%.

Seguindo a tendência dos últimos dias de melhora na percepção da atividade global e de redução nas tensões no Egito, o índice futuro da bolsa norte-americana (S&P) e as bolsas européias devem operar em alta, enquanto que o dólar deve perder valor frente às demais moedas. Essa melhora na aversão ao risco deve influenciar os mercados domésticos, levando a bolsa brasileira operar no campo positivo e o real ganhe valor frente ao dólar. 


(*)
Thiago Flores é Administrador – EAESP-FGV, Mestre em Economia de Negócios – EESP – FGV, Mestre em Finanças – IBMEC/INSPER –SP, Consultor de empresas e CFO à FF Consult ®
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