A internacionalização das empresas Chinesas

Thiago Flores 

Desde meados dos anos 1980, quando os países aumentaram sua participação nos fluxos de IDE realizados pelo mundo, as empresas transnacionais (ETN) aumentaram sua atuação na produção e na renda de grande parte das economias. No caso dos países em desenvolvimento, a Ásia assumiu  um papel de liderança, já que a partir dos anos 1980, em razão do deslocamento de capitais dos países desenvolvidos para os em desenvolvimento, observou-se um aumento dos investimentos e do comércio regional, segundo estudos e último comunicado do IPEA.

Nesse contexto, o processo de internacionalização das empresas chinesas avançou rapidamente, em especial após os anos 2000. Em termos de fluxos, os números são incontestes. A presença das empresas chinesas no mundo, tanto em termos setoriais como geográficos, mostra uma tendência à diversificação de seus negócios e a um ganho de experiência no aproveitamento de novas oportunidades. As empresas estatais nesse modelo chinês têm papel relevante ao se constituírem como empresas líderes que se articulam e abrem oportunidades para empresas menores e do setor privado.

Essa internacionalização possui função importante no redesenho da posição do país na produção mundial e em seu papel político frente a outras nações. Nesse sentido, pode-se observar que a China vem estreitando relações com regiões onde o país tem espaço para                                   aumentar sua zona de influência (África e Oriente Médio) e seus investimentos em setores prioritários, bem com aproveitar as vantagens oferecidas pelos maiores centros financeiros.

Chama a atenção também, no caso chinês, a existência de estratégias de expansão produtiva em função dos objetivos da política industrial do país e da sustentabilidade do balanço de pagamentos. Esses dois objetivos controlam o ritmo e a direção do IDE chinês e condicionam o grau de intervenção do Estado nesse processo.

O desafio tem sido montar políticas de apoio à internacionalização de maneira mais coordenada, criar uma institucionalidade apropriada e, ao mesmo tempo, promover a competitividade e o crescimento de suas empresas com estabilidade da moeda.

No âmbito das políticas de internacionalização, caracteriza as ações chinesas a abrangência e agressividade de suas políticas de apoio e promoção ao investimento direto de suas empresas no exterior. Tais ações parecem complementares, o que pode ser inferido pela convergência das políticas de financiamento, incentivos fiscais e financeiros, fornecimento de informações e orientação às empresas, e a realização de acordos internacionais para áreas prioritárias.

(*) Thiago Flores é Administrador – EAESP-FGV, Mestre em Economia de Negócios – EESP – FGV, Mestre em Finanças – IBMEC/INSPER –SP, Consultor de empresas e CFO à FF Consult ®
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