Bang! Na mosca! Banco Central subiu em 50 p.b. a taxa Selic, optando por manter o ritmo do ciclo de elevação da taxa de juros e muito mais!

Thiago Flores 

Em um comunicado breve e conforme esperava, o Banco Central decidiu por elevar a taxa básica de juros em 50 p.b., chegando a 11,75% ao ano, “dando seguimento ao processo de ajuste das condições monetárias”. Esta decisão, na nossa visão, se insere em um contexto pautado pela estratégia coordenada de redução do ritmo de crescimento das despesas públicas, anunciada na semana passada, e da adoção de medidas macroprudencias no final de 2010.

Além disso, a desaceleração já em curso da atividade e o fato de parte da deterioração da inflação e das expectativas ser reflexo de choques de commodites – a serem acomodados na banda de inflação em 2011 – foram suficientes para justificar a manutenção do ritmo de aperto em 50 p.b.

A expansão de 0,2% da produção industrial registrada em janeiro, divulgada ontem pelo IBGE, está em linha  com  a expectativa de moderação da atividade econômica neste início do ano, lembrando que a indústria brasileira segue praticamente estagnada desde abril do ano passado. Na comparação com o mesmo mês de 2010, a produção da indústria também se mostrou enfraquecida, ao registrar alta de 2,5%, o mesmo ritmo de crescimento verificado em dezembro.

A abertura do indicador se mostrou favorável para as categorias de bens de capital, cuja alta na margem foi de 1,8% e para a categoria de bens de consumo duráveis, com expansão de 6,0% (após dois meses de contração). No caso da produção dos bens de consumo semi e não-duráveis, a alta foi de apenas 0,3%, ao passo que a categoria de bens intermediários apresentou retração de 0,4% ante dezembro. Por setores de atividade, 15 setores (de um total de 27) contribuíram para a elevação na margem, com destaque para material eletrônico e equipamentos de comunicações (35,5%, devido ao retorno de férias coletivas no mês anterior), metalurgia básica (5,3%) e farmacêutica (5,4%). Dentre aqueles que registraram contração, vale destacar o de veículos automotores (-3,2%) e refino de petróleo e produção de álcool (-2,3%).

Apesar da expansão na margem em fevereiro, os emplacamentos de veículos seguiram enfraquecidos ao longo de boa parte do mês, ainda refletindo as medidas macroprudenciais adotadas no final do ano passado pelo Banco Central, segundo dados divulgados ontem pela Federação Nacional de Distribuição de Veículos Automotores (Fenabrave).

Vale a pena destacar a aceleração dos emplacamentos de automóveis e comerciais leves nos dois últimos dias do mês, que permitiram um avanço de 3,9% na margem para os emplacamentos dessas duas categorias; lembrando que, excluindo os dois últimos dias, as vendas teriam registrado queda marginal de 3,0% na mesma base de comparação. Na mesma direção, os emplacamentos de ônibus e caminhões apresentaram desaceleração na segunda metade de fevereiro, encerrando o mês com retrações de 3,4% e 2,0%, respectivamente. Em relação ao mesmo período do ano passado, os emplacamentos de veículos se expandiram 22,7%. Para março esperamos que o feriado de carnaval afete as vendas de automóveis e comerciais leves, sugerindo um recuo em relação em fevereiro.

As bolsas européias e o índice futuro da bolsa norte-americana (S&P) devem operar em alta enquanto o dólar perder valor frente às demais moedas, corrigindo os movimentos dos últimos dias. A expectativa positiva quanto aos importantes indicadores da economia dos EUA, a serem divulgados no início da tarde de hoje, reforçam este otimismo. Espero que a tendência externa se estenda ao mercado doméstico fazendo com que a bolsa brasileira feche em ligeira alta e o real ganhe valor frente ao dólar.
 

(*) Thiago Flores é Administrador – EAESP-FGV, Mestre em Economia de Negócios – EESP – FGV, Mestre em Finanças – IBMEC/INSPER –SP, Consultor de empresas e CFO à FF Consult ®
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