China desacelera? No Brasil confira os cortes do Orçamento de 2011!

Thiago Flores 

A queda apresentada pelo índice PMI da China – que passou de 52,9 pontos em janeiro para 52,2 pontos em fevereiro, sugerindo uma desaceleração moderada da economia, refletindo as medidas de aperto implementadas desde outubro pelo governo chinês. Vale dizer que, a despeito do recuo verificado nos últimos meses, sugere-se esperar novos dados relativos a janeiro e fevereiro para fazer uma avaliação mais precisa do tamanho da desaceleração em curso.

De qualquer maneira, com os sinais que temos até agora, a aposta mais factível é de um leve arrefecimento, refletindo as medidas de aperto monetário e creditício adotadas desde outubro do ano passado, além da última rodada de restrições ao setor imobiliário. Além disso, este dado de fevereiro está carregado de distorções do feriado do ano novo chinês, que pode ter puxado para baixo o desempenho do período, sendo que, para março, devemos observar uma recuperação.

Ou seja, este resultado não altera a visão de que o crescimento da China ainda rodará ao redor de 9% neste ano e de que o ciclo de aperto ainda acontecerá ao longo do primeiro semestre deste ano, já que as pressões inflacionárias ainda seguem consideráveis.

No Brasil, com o compromisso de executar uma política fiscal austera ao longo deste ano e reduzir a contribuição dos gastos do governo sobre a expansão da demanda agregada, o governo anunciou ontem os detalhes dos cortes de despesas primárias do Orçamento para 2011, que totalizaram R$ 50,1 bilhões, incluindo reduções de despesas obrigatórias e discricionárias. Paralelamente, as estimativas de receitas também foram revistas para baixo, em R$ 19,1 bilhões, levando o resultado primário projetado para o ano para um total de 2,9% do PIB, conforme já havia sido anunciado anteriormente.

Pelo lado das despesas, vale destacar que os recursos destinados a investimentos e programas sociais não foram alterados (embora o programa Minha Casa Minha Vida tenha sido reduzido em R$ 5,1 bilhões), sendo que as reduções se concentraram em gastos de custeio, pessoal e encargos sociais e subsídios, principalmente. As despesas obrigatórias foram cortadas em R$ 15,8 bilhões, enquanto as discricionárias (para cada Ministério) foram reduzidas em R$ 36,2 bilhões. Dentre as principais medidas, podemos citar o corte de pessoal e encargos, que soma R$ 3,5 bilhões, com o fim de novas contratações e maior controle do funcionalismo, ao mesmo tempo em que se pretende, como meta, reduzir em R$ 3,0 bilhões as despesas com abono e seguro desemprego.

Além disso, contribuindo para o corte de custeio por Ministérios, hoje será baixado o decreto que reduz os gastos com diárias e passagens em 50%, dentre outras medidas.

As bolsas internacionais devem operar no campo positivo e o dólar perder valor frente às demais moedas, seguindo a tendência dos últimos dias e refletindo o bom resultado dos índices de atividade manufatureira no mundo, referentes a fevereiro. No início da tarde de hoje, ainda teremos o índices de atividade manufatureira nos EUA (ISM), que deve confirmar esta melhora na percepção da atividade global. Esta melhora deve se estender ao mercado doméstico, fazendo com que a bolsa brasileira feche em ligeira alta e o real sofra apreciação frente ao dólar. Por fim, no mercado doméstico de juros futuros, espera-se estabilidade em todos os vencimentos, uma vez que as apostas para o Copom já foram incorporadas nos últimos dias.


(*)
Thiago Flores é Administrador – EAESP-FGV, Mestre em Economia de Negócios – EESP – FGV, Mestre em Finanças – IBMEC/INSPER –SP, Consultor de empresas e CFO à FF Consult ®
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