Juros de cheque especial e Safra de grãos batem recorde.
Thiago Flores
As taxas de juros para consumo subiram em abril, na terceira
elevação no ano e segunda consecutiva, segundo levantamento
divulgado nesta terça-feira pela Associação Nacional dos
Executivos de Finanças, Administração e Contabilidade (Anefac).
A média geral para pessoa física cobrada pelos bancos teve alta
de 6,78% ao mês (119,72% ao ano) em março para 6,81% ao mês
(120,47% ao ano) em abril.
Entre as linhas que tiveram aumento, destaca-se o cheque
especial, que passou de 7,78% ao mês (145,73% ao ano) para 7,97%
ao mês (150,98% ao ano), atingindo o maior valor desde novembro
de 2008. "O cheque especial não é renda e deve ser utilizado por
um período curto e emergencial. Se tiver necessidade de usar
este limite por um período maior procure a sua instituição
financeira e faça um empréstimo pessoal (que tem custos menores)
para liquidar o cheque especial", afirma a Anefac em nota.
De acordo com a pesquisa, também tiveram aumento os juros do
comércio (crédito diretamente pela loja) e do empréstimo pessoal
feito por bancos, que tiveram média de 5,68% ao mês (94,05% ao
ano) e 4,70% ao mês (73,52% ao ano), respectivamente. Já o
Crédito Direto ao Consumidor (CDC), bastante utilizado para o
financiamento de veículos, ficou inalterado em 2,39% ao mês
(32,77% ao ano). Apenas o empréstimo pessoal de financeiras
mostrou taxa menor que a de março.
Os acréscimos são conseqüências da elevação dos depósitos
compulsórios em dezembro do ano passado, das recentes altas na
taxa básica de juros - o Banco Central aumentou a Selic três
vezes só neste ano, em 1,25 ponto percentual no total -, e das
elevações das alíquotas de Imposto sobre Operações Financeiras
(IOF), segundo a Anefac. A entidade ainda recomenda que os
consumidores evitem comprometer demasiadamente o orçamento.
Por outro lado, segundo o IBGE, a safra nacional de cereais,
leguminosas e oleaginosas indica produção da ordem de 158,7
milhões de toneladas, superior em 6,0% à safra recorde obtida em
2010 (149,7 milhões de toneladas). É o que indica a quarta
estimativa do Levantamento Sistemático da Produção Agrícola (LSPA)
em 2011.
A área a ser colhida em 2011, de 48,6 milhões de hectares,
apresenta acréscimo de 4,3%, frente à área colhida em 2010. As
três principais culturas, que somadas representam 90,8% do
volume da produção de cereais, leguminosas e oleaginosas: o
arroz, o milho e a soja, respondem por 82,5% da área a ser
colhida registrando, em relação ao ano anterior, variações de
2,1%, 4,1% e 2,8%, respectivamente. Quanto à produção os
acréscimos são, nessa ordem, de 18,4%, 3,0% e 6,3%.
Entre as Grandes Regiões, esse volume da produção de cereais,
leguminosas e oleaginosas apresenta a seguinte distribuição:
Região Sul, 66,0 milhões de toneladas; Centro-Oeste, 57,0
milhões de toneladas; Sudeste, 16,4 milhões de toneladas;
Nordeste, 15,0 milhões de toneladas e Norte, 4,3 milhões de
toneladas. Comparativamente ao ano anterior, são constatados
incrementos nas Regiões Norte (7,4%), Nordeste (26,5%),
Centro-Oeste (8,5%), Sul (2,8%), e decréscimo na Sudeste
(-3,8%). O Paraná, nessa avaliação para 2011, mantém a liderança
na produção nacional de grãos, com uma participação de 20,6%,
seguido pelo Mato Grosso com 19,9% e Rio Grande do Sul com
17,0%.
Dentre os vinte e cinco produtos selecionados, quinze apresentam
variação positiva na estimativa de produção em relação ao ano
anterior: algodão herbáceo em caroço (69,5%), amendoim em casca
1ª safra (7,8%), arroz em casca (18,4%), batata-inglesa 1ª safra
(13,3%), batata-inglesa 2ª safra (13,4%), cacau em amêndoa
(4,4%), cevada em grão (2,6%), feijão em grão 1ª safra (27,2%),
feijão em grão 2ª safra (5,1%), mamona em baga (51,2%), mandioca
(9,2%), milho em grão 2ª safra (7,6%), soja em grão (6,3%),
sorgo em grão (13,4%) e triticale em grão (26,2%). Com variação
negativa: amendoim em casca 2ª safra (7,8%), aveia em grão
(12,7%), batata-inglesa 3ª safra (10,2%), café em grão (11,0%),
cana-de-açúcar (7,5%), cebola (8,8%), feijão em grão 3ª safra
(7,2%), laranja (2,2%), milho em grão 1ª safra (0,2%) e trigo em
grão (16,6%).
A colheita das principais culturas temporárias de verão, com
ênfase para a soja, milho e o arroz, encaminha-se para o final.
Nos próximos levantamentos, prosseguirá o acompanhamento do
restante da colheita da safra de verão e do desenvolvimento das
segunda e terceira safras de alguns produtos, além das culturas
de inverno que, devido ao calendário agrícola apresentam grande
parte de suas estimativas ainda baseadas em projeções.
(*)
Thiago Flores é Administrador – EAESP-FGV, Mestre em Economia de
Negócios – EESP – FGV, Mestre em Finanças – IBMEC/INSPER –SP,
Consultor de empresas e CFO à FF Consult ®
www.ffconsult.com
ffconsult@ffconsult.com
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