Inflação causada por choque de oferta é destaque do BC. Produção, Celulose, Superávit, Câmbio e bolsas!

Thiago Flores 

Ao reconhecer que a aceleração recente da inflação tem sido em grande parte decorrente de choques de oferta, Banco Central exibiu baixa ansiedade e serenidade em relação ao tema, reafirmando o comprometimento com a meta em 2012.

A expectativa de moderação do ritmo de crescimento da economia (com a revisão da estimativa do PIB de 2011 para 4%), as incertezas em relação ao cenário prospectivo dos preços de commodities, a aposta de que medidas macroprudenciais têm certa equivalência em relação às ações tradicionais de política monetárias, a visão de que choques de oferta devem ser parcialmente acomodados e que o BC busca a convergência da meta em 2012 colocam-se como destaque do Relatório de Inflação (RI) do terceiro trimestre.

De forma resumida, “o cenário prospectivo envolve moderação da atividade econômica, balanço de riscos para a inflação que mostra certo avanço, embora as projeções de inflação para 2011 sejam menos favoráveis do que as constantes do último Relatório de Inflação”. Esta visão mais benigna para a inflação prospectiva reside, por sua vez, no reconhecimento de que (i) as decisões recentes de contenção dos gastos públicos apoiam a consolidação fiscal iniciada; (ii) as medidas macroprudenciais surtirão efeito, dizendo que “não se pode desvencilhar a estratégia de política monetária dos desenvolvimentos no âmbito macroprudencial”; e (iii) a desaceleração da atividade está em curso, sendo que a moderação da expansão de crédito será fator importante para esta desaceleração.

Ao mesmo tempo, afirmou que diante de choques de oferta, “nas atuais circunstâncias, a boa prática recomenda buscar uma convergência mais suave da inflação para a trajetória de metas, à semelhança de estratégia adotada no passado pelo Banco Central”, em linha com a nossa visão de que a condução da política monetária continuará pautada pela baixa ansiedade para trazer a inflação ao centro da meta.

Neste sentido, “ o Copom ressalta que a estratégia de política monetária será implementada com vistas a conter os efeitos de segunda ordem do choque de oferta e a garantir a convergência da inflação para a meta em 2012”. Finalmente, vale citar as previsões para a inflação, sendo que no cenário de referência, ela chega a 5,6% em 2011 e a projeção para o primeiro trimestre de 2012 se encontra em 4,8%, recua para 4,4% no segundo e terceiro trimestres, encerrando o ano em 4,6%; para o primeiro trimestre de 2013, a projeção se encontra em 4,5%. Já no cenário de mercado, a previsão de 5,6% para a inflação em 2011 é igual ao cenário de referência; a projeção se encontra em 4,8% no primeiro trimestre de 2012, recua para 4,4% no segundo e terceiro trimestres, encerrando o ano em 4,6%; para o primeiro trimestre de 2013, a projeção se encontra em 4,5%.

Reforçando a expectativa de que a produção industrial acelerou na margem em fevereiro, os indicadores da indústria paulista do mesmo período também apontaram avanço ante janeiro. O Indicador de Nível de Atividade (INA) subiu 2,0% em relação a janeiro, na série com ajuste sazonal, após crescimento de 1,2% registrado em janeiro, segundo os dados divulgados ontem pela Fiesp/Ciesp. Na mesma direção, o Nível de Utilização Capacidade Instalada (NUCI) se elevou de 83,8% no primeiro mês deste ano para 84,1% em fevereiro. As expectativas para março, por sua vez, sugerem continuidade deste movimento, conforme o resultado da Pesquisa Sensor, também da Fiesp. O indicador de confiança dos empresários de São Paulo subiu para 55,9 pontos, ante 54,0 pontos em fevereiro.

Por outro lado, a produção brasileira de celulose atingiu 2,3 milhões de toneladas no acumulado dos dois primeiros meses de 2011, segundo dados divulgados ontem pela Associação Brasileira de Celulose e Papel (Bracelpa). No ano, este número representa um discreto crescimento de 0,5% em relação ao mesmo período do ano passado. Na mesma base de comparação, no entanto, as vendas externas se destacaram, com alta de 8,6%, fazendo um contraponto à queda de 1,2% registrada nas vendas domésticas.

Ainda em relação a janeiro, as vendas domésticas apresentaram uma recuperação, crescendo 2,7% após a queda de 2,4% de janeiro, enquanto as vendas externas recuaram 2,9% após o crescimento de 0,9%.

As despesas mais moderadas levaram o resultado do governo central (que agrega as contas do Tesouro Nacional, Previdência Social e Banco Central) a atingir superávit de R$ 2,6 bilhões em fevereiro, após registrar déficit de R$ 1,2 bilhão em fevereiro do ano passado e superávit de R$ 14,3 bilhões em janeiro, segundo dados divulgados ontem pelo Tesouro Nacional. A principal mensagem positiva do resultado de fevereiro se deveu à retração do patamar de despesas do governo central, que totalizaram R$ 48,3 bilhões, o que representou queda marginal de 4,3% em termos reais e com ajuste sazonal. No mesmo sentido, em relação ao ano passado, os gastos passaram de alta de 17% em janeiro para um aumento de 1,0% em fevereiro, em termos reais.

As bolsas européias e o futuro da bolsa norte-americana, S&P, devem operar em alta, revelando o apetite dos investidores por ativos com maior risco agregado e a confiança de que o desastre natural no Japão não deverá afetar a economia global. No Brasil, o tom positivo nas bolsas internacionais deverá fazer com que a Bovespa feche o dia em alta novamente. No mercado de câmbio, a despeito das medidas anunciadas pelo Banco Central brasileiro visando conter a apreciação adicional da moeda brasileira, o real hoje deverá apresentar uma ligeira apreciação frente ao dólar.
 

(*) Thiago Flores é Administrador – EAESP-FGV, Mestre em Economia de Negócios – EESP – FGV, Mestre em Finanças – IBMEC/INSPER –SP, Consultor de empresas e CFO à FF Consult ®
www.ffconsult.com
ffconsult@ffconsult.com
 

Você profissional ou estudante da área de Auditoria, Contabilidade, Tributação, mande-nos seu artigo para publicação e debate, através do e-mail portaldeauditoria@portaldeauditoria.com.br

Veja mais assuntos publicados sobre Auditoria Interna

Artigos publicados sobre Auditoria Interna

- Canal de Denúncia: ferramenta pode evitar perdas financeiras e danos à imagem da companhia
- 
O Papel da Auditoria Interna na Prevenção de Riscos.
- O que é a auditoria interna
- 
Como Auditar sua Logística Interna  
 

Cursos sobre Auditoria Interna