Mais uma alta no IGP-M, Indústria terá crescimento moderado,
Oferta de imóveis novos cresce & Os efeitos do aumento do
compulsório chinês!
Thiago Flores
A segunda prévia do IGP-M do mês apresentou alta de 0,88% –
pouco acima das projeções do mercado (0,83%) –, acelerando em
relação ao apresentado na segunda prévia de janeiro (0,60%),
lembrando que desde janeiro, houve forte aceleração nos preços
ao produtor, tanto agrícola quanto industrial. O IPA agrícola
atingiu alta de 2,27%, refletindo as pressões dos preços
internacionais sobre os preços internos de milho, algodão, trigo
e carnes bovinas, sendo que os próximos indicadores de fevereiro
não deverão mostrar alívio significativo nesse grupo. O IPA
industrial, por sua vez, registrou elevação de 0,64%, puxada
principalmente pelo reajuste de minério de ferro, ainda que esse
efeito deva começar a arrefecer nas próximas leituras; além
disso, a cadeia de têxteis continua mostrando forte aceleração,
inclusive influenciando os preços de artigos de vestuário; por
outro lado, os produtos alimentícios continuam em deflação,
comportamento que deverá ser revertido nos próximos meses,
considerando as novas altas dos produtos agrícolas. No varejo, o
IPC registrou alta de 0,54%, se beneficiando da deflação de
alimentação. Por fim, o INCC apresentou alta de 0,42%, mostrando
aceleração nos preços de materiais. Os resultados de fevereiro
ainda mostrarão inflação no atacado pressionada, tanto pelos
preços em elevação de agrícolas, quanto pelo lado industrial,
que vem reportando pressões de custos sobre os produtores.
A isto devemos anexar que a confiança do empresário industrial
tem reagido à acomodação de diversos setores industriais,
verificada há algum tempo, mostrando que esta tendência deve ter
se mantido em fevereiro, segundo sugerido pelos dados divulgados
ontem pela Confederação Nacional da Indústria (CNI). O Índice de
Confiança do Empresário Industrial (ICEI) atingiu 61,8 pontos no
segundo mês deste ano, ligeiramente abaixo dos 62,0 pontos
registrados em janeiro e abaixo de 67,8 pontos registrados em
fevereiro do ano passado – embora tenha se mantido acima da
média histórica de 59,7 pontos. Frente ao mesmo mês do ano
passado, quando a indústria registrava aceleração na margem, o
arrefecimento da confiança do empresário se deu de maneira
generalizada entre os portes de empresas e entre as regiões do
país. Pelo lado das expectativas, por sua vez, o indicador para
os próximos seis meses sugere que o ritmo de crescimento da
indústria deverá se manter moderado, passando de 71 em fevereiro
do ano passado para 65,5 pontos em 2011.
De outro lado, as vendas de imóveis novos na cidade de São
Paulo ficaram praticamente estáveis em 2010, crescendo 0,1% em
relação a 2009, ao passo que o número de lançamentos mostrou
expansão de 23%, conforme divulgado ontem pelo Sindicato das
Empresas de Compra, Venda, Locação e Administração de Imóveis
Residenciais e Comerciais de São Paulo. Vale dizer que, ao longo
do ano passado, o descompasso entre a demanda aquecida e a
oferta restrita – em alguns tipos de imóveis – acabou
impulsionando muitos lançamentos, sendo que nos últimos meses de
2010 houve uma recuperação em maior intensidade. Assim, levando
em conta a retomada da oferta neste período e certa acomodação
nas vendas, notamos uma recomposição do estoque de imóveis novos
na cidade. Para este ano, diante das condições ainda favoráveis
para o mercado de trabalho e de crédito, acredito que o setor
imobiliário continuará forte. Apesar disso, o movimento de
recuperação do estoque deve perdurar nos próximos meses – ainda
que permaneça em patamar historicamente baixo –, o que significa
dizer que ainda veremos os lançamentos de imóveis novos
crescendo a taxas superiores às vendas.
O futuro da bolsa norte-americana (S&P) e as bolsas européias
devem operar no campo negativo, e o dólar ganhar valor frente às
demais moedas. Estes movimentos refletem a decisão, de hoje de
manhã, do governo chinês de elevar o compulsório para os bancos,
voltando a preocupação com a intensidade do aperto, que poderá
comprometer o crescimento. Seguindo a tendência externa, a bolsa
brasileira deverá devolver parte dos ganhos dos últimos dias e o
real deverá sofrer ligeira depreciação frente o dólar.
(*)
Thiago Flores é Administrador – EAESP-FGV, Mestre em Economia de
Negócios – EESP – FGV, Mestre em Finanças – IBMEC/INSPER –SP,
Consultor de empresas e CFO à FF Consult ®
www.ffconsult.com
ffconsult@ffconsult.com
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