Superávit é o menor desde 2005 & Bolsas em alta!
Thiago Flores
Nova divulgação do governo comunicou que seu resultado primário
ficou em R$ 9, 738 bilhões em outubro, sendo o menor superávit
para outubro desde 2005. Com a abertura dos dados vemos que o
governo central teve saldo positivo de R$ 7,2 bilhões e governos
regionais e empresas estatais +R$ 2,5 bilhões e -R$ 900 milhões,
respectivamente. Ressalto que nesta divulgação as contas da
Eletrobrás (estatal credora líquida) foram desconsideradas do
resultado.
O superávit acumulado do ano ficou em R$ 86,7 bilhões ou 2,99%
do PIB com pagamento de juros em função do PIB permanecendo
praticamente constante na casa dos 5,38% do PIB. Destarte, o
resultado nominal ficou negativo em R$ 6,4 bilhões em outubro,
fazendo com que o déficit acumulado no ano passasse de R$ 64,
233 bilhões até setembro para R$ 70,632 bilhões até
outubro(2,52% do PIB).
A Fiesp/CIESP divulgou alta no índice de atividade da indústria
paulista em outubro, mesmo com a queda na confiança e
expectativa citados nos indicadores desta semana, crescendo
3,3%. Segundo a ABRAS as vendas reais nos supermercados
mostraram crescimento de 3,85% em outubro e o bom desempenho das
vendas em relação ao ano passado se deve principalmente ao
crescimento da massa salarial e emprego, o que tem permitido que
o consumo se mantenha em patamar robusto. Isto posto, devemos
esperar que as vendas no varejo sustentem esse ritmo forte de
crescimento no último trimestre.
Seguindo para as notícias internacionais, observamos que a China
vem superando as expectativas em todos os índices de produção e
manufaturas indicando que as medidas restritivas impostas
recentemente (como aumento de compulsório e aperto do crédito)
ainda não surtiram efeito sobre a indústria, embora os custos de
produção indiquem pressão de mais de 5%.
Muitos clientes e leitores indagam sobre a dicotomia existente
entre as medidas contracionistas de aperto monetário e os
resultados da economia. No entanto, tal paradoxo não se
apresenta visto que o aperto fará com que se impeça nova
aceleração do PIB, e não conter o crescimento da economia em
si.
Na Zona do Euro, apesar das últimas notícias que reportei e
analisei, apresentou atividade industrial favorável em novembro,
sendo que as vendas no varejo na Alemanha voltaram a crescer. No
que tange o setor manufatureiro no Reino Unido, observa-se um
forte desempenho, também apresentando elevação na Alemanha,
contrariando as expectativas do mercado de alta, sendo estes
resultados subproduto dos sinais mais favoráveis vindos do
mercado de trabalho que aumenta a renda disponível e logo o
produto alemão.
Fica aqui também atenção para o mercado imobiliário dos EUA,
visto que o índice de preços de imóveis de setembro sinalizou as
frágeis condições do mercado imobiliário enquanto indicadores da
indústria e confiança do consumidor apresentaram melhoras em
novembro, podendo ainda ser sentidos os efeitos negativos do fim
dos incentivos de crédito pelo governo para a compra de imóveis,
ocorrido em abril. No entanto, a confiança dos consumidores bem
como suas expectativas favoráveis sobre a economia segue em
alta.
Enfim, hoje bolsas européias e norte-americanas operam em alta
devido as ultimas noticias de recuperação de alguns países
europeus em especial a Alemanha também impulsionados pelo
resultado mais forte da indústria da China, pelo melhor
resultado das vendas no varejo na Alemanha e em reflexo aos
comentários positivos do presidente do Banco Central Europeu,
Jean-Claude Trichet, em relação à estabilidade financeira na
Região do Euro. Por conta disto, acreditamos que a bolsa
brasileira deva seguir a tendência externa, fechando o dia em
alta. No mercado de câmbio, o dólar perde valor frente às demais
moedas, refletindo a melhor perspectiva externa, movimento que
deve ocorrer também contra o real, fazendo com que o real se
aprecie frente ao dólar no pregão de hoje.
(*)
Thiago Flores é Administrador – EAESP-FGV, Mestre em Economia de
Negócios – EESP – FGV, Mestre em Finanças – IBMEC/INSPER –SP,
Consultor de empresas e CFO à FF Consult ®
www.ffconsult.com
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