Superávit primário do setor público, Alta do IPC e das projeções
de inflação.
Thiago Flores
O superávit primário do setor público consolidado alcançou
R$13,6 bilhões em março, o melhor resultado para o mês desde o
início da série, em 2011. O Governo Central e os governos
regionais apresentaram superávits de R$9,7 bilhões e R$4,4
bilhões, respectivamente, enquanto as empresas estatais
registraram um déficit de R$0,5 bilhão.
No ano, o superávit primário do setor público consolidado
atingiu R$39,3 bilhões (4,20% do PIB), elevando-se 1,9 p.p. do
PIB em relação ao mesmo período do ano passado. Em doze meses,
esse superávit alcançou R$121,9 bilhões (3,23% do PIB) em março,
elevando-se 0,3 p.p. do PIB em relação ao resultado acumulado
até fevereiro.
Os juros nominais, apropriados por competência, alcançaram
R$20,5 bilhões em março, superando em 1,4 bilhão o resultado do
mês anterior. O maior número de dias úteis em março contribuiu
para esse aumento. No ano, os juros apropriados atingiram R$58,9
bilhões, comparativamente a R$45,4 bilhões no primeiro trimestre
de 2010. Essa trajetória foi influenciada, principalmente, pelos
maiores patamares da taxa de inflação medida pelo IPCA e da taxa
Selic durante o primeiro trimestre do ano, comparativamente ao
mesmo período de 2010. Em doze meses, os juros nominais
alcançaram R$208,9 bilhões (5,53% do PIB).
O resultado nominal, que inclui o superávit primário e os juros
nominais apropriados, foi deficitário em R$6,9 bilhões em março.
No ano, o déficit nominal atingiu R$19,7 bilhões (2,10% do PIB).
No acumulado em doze meses, o resultado foi deficitário em
R$87,1 bilhões (2,31% do PIB).
O financiamento do déficit nominal no mês ocorreu mediante
expansão de R$31,9 bilhões na dívida mobiliária,
contrabalançada, parcialmente, pelas reduções de R$3,7 bilhões
na dívida bancária líquida, de R$16,0 bilhões no financiamento
externo líquido e de R$5,3 bilhões nas demais fontes de
financiamento interno, que incluem a base monetária.
Por outro lado, segundo divulgado pela FGV, o IPC-S de 30 de
abril de 2011 apresentou variação de 0,95%, 0,15 ponto
percentual (p.p.) acima da taxa registrada na última divulgação.
Com este resultado, o indicador acumula alta de 3,46% no ano e
6,05% em 12 meses.
Após duas semanas em recuo, a
taxa do grupo Alimentação (0,91% para 1,04%) voltou a apresentar
aceleração.
Entre os destaques estão: hortaliças e legumes (3,71% para
4,20%), panificados e biscoitos (-0,43% para -0,22%), laticínios
(2,12% para 2,51%) e carnes e peixes industrializados (0,74%
para 1,16%). Vale destacar também, o comportamento do item
alimentação fora, cuja taxa passou de 0,70% para 0,89%.
Também apresentaram acréscimos em suas taxas de variação os
grupos: Transportes (1,82% para 2,10%), Despesas Diversas (0,53%
para 0,81%), Vestuário (1,06% para 1,34%), Saúde e Cuidados
Pessoais (0,87% para 1,10%) e Habitação (0,38% para 0,47%).
Nestes grupos, os destaques partiram dos itens: gasolina (4,66%
para 5,98%), cigarro (1,57% para 2,30%), roupas (1,11% para
1,51%), medicamentos em geral (1,71% para 2,82%) e tarifa de
eletricidade residencial (0,45% para 1,00%), nesta ordem.
Em contrapartida, o grupo Educação, Leitura e Recreação (0,36%
para 0,32%) registrou decréscimo em sua taxa de variação. A
principal influência para este movimento partiu do item passagem
aérea, cuja taxa passou de 3,08% para -1,04%.
Segundo o último Relatório Focus, divulgado há pouco pelo Banco
Central, as projeções do IPCA deste ano novamente subiram de
6,34% para 6,37%, ao passo que as expectativas para 2012
permaneceram em 5,0%. As expectativas de crescimento do PIB, por
sua vez, permaneceram estáveis em 4,0% para 2011, e mostraram
leve elevação para 2012, passando de 4,21% para 4,25%. Para a
taxa de câmbio, as projeções apresentaram recuo para 2011, de
R$/US$ 1,65 para R$/US$ 1,62, e mantiveram-se estáveis em R$/US$
1,70 para 2012. Por fim, as expectativas para a taxa Selic
revelaram ajustes para cima, de 0,25 p.p. para 2011 e 2012,
chegando a 12,50% e 12%, respectivamente.
(*)
Thiago Flores é Administrador – EAESP-FGV, Mestre em Economia de
Negócios – EESP – FGV, Mestre em Finanças – IBMEC/INSPER –SP,
Consultor de empresas e CFO à FF Consult ®
www.ffconsult.com
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