Vendas no varejo devem cair! Tendência das bolsas e câmbio.
Thiago Flores
O volume de vendas do comércio varejista registrou alta de 1,2%
em janeiro ante dezembro, já descontados os efeitos sazonais, de
acordo com a Pesquisa Mensal de Comércio (PMC), divulgada ontem
pelo IBGE. Trata-se de uma aceleração na margem, uma vez que em
dezembro houve alta de 0,2%. Em relação ao mesmo mês do ano
anterior, as vendas se expandiram 8,3%, ante 10,2% em dezembro.
No caso das vendas ampliadas, que incluem os segmentos de
automóveis e motos e de materiais e construção, houve recuo de
0,2% frente a dezembro (depois da alta de 0,3% no último mês de
2010), impactado principalmente pelo resultado negativo das
vendas de veículos. Entretanto, vale destacar que a queda
registrada pela PMC ficou muito aquém da apontada pelos dados de
emplacamentos de veículos da Fenabrave para o mesmo período.
Apesar da aceleração observada em janeiro (excluindo automóveis
e motos e materiais de construção), o crescimento das vendas no
varejo foi concentrado em alguns segmentos, ao contrário do que
foi observado em dezembro, quando houve recuo nas vendas de
supermercados e uma expansão mais disseminada nos outros
segmentos.
Os destaques de janeiro ficaram por conta das vendas de super e
hipermercados, produtos alimentícios, bebidas e fumo (alta de
1,2% ante dezembro) e de móveis e eletrodomésticos (expansão de
2,7%, na mesma base de comparação).
Por outro lado, as vendas de equipamentos e materiais para
escritório, informática e comunicação e de outros artigos de uso
pessoal e doméstico recuaram 5,1% e 2,5%, respectivamente,
impedindo uma expansão mais forte do resultado agregado.
Já o resultado fraco das vendas ampliadas foi influenciado pela
queda de 7,1% das vendas do setor de veículos e motos, partes e
peças, ao passo que o comércio de materiais de construção
cresceu 1,1%.
As bolsas internacionais devem operar em queda, mantendo a
tendência dos últimos dias, exceção feita à bolsa de Tóquio que
devolveu parte das perdas desta semana. Este cenário de elevada
aversão ao risco deve se estender para o mercado doméstico
fazendo com que a bolsa feche o pregão no campo negativo. No
mercado de câmbio, o dólar deve ganhar valor frente às demais
moedas, o que também deve se refletir frente ao real, que deverá
mostrar depreciação ao longo do dia.
(*)
Thiago Flores é Administrador – EAESP-FGV, Mestre em Economia de
Negócios – EESP – FGV, Mestre em Finanças – IBMEC/INSPER –SP,
Consultor de empresas e CFO à FF Consult ®
www.ffconsult.com
ffconsult@ffconsult.com
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