Vôos, emprego, alumínio e as últimas internacionais !

Thiago Flores 

A demanda por vôos domésticos apresentou expansão de 18,6% em dezembro do ano passado em relação ao mesmo período de 2009, conforme divulgado ontem pela Agência Nacional de Aviação Civil (Anac). Da mesma forma, a demanda por vôos internacionais (operados por empresas nacionais) também apresentou incremento significativo em dezembro, de 17,7% na mesma base de comparação. Com isso, no fechamento de 2010, a demanda por vôos domésticos registrou aumento de 23,5%, lembrando que esse desempenho se deu em cima de uma expansão de 18,9% registrada em 2009

De outro lado, o emprego na indústria permaneceu estável em novembro, em linha com a acomodação da indústria verificada no período, embora os indicadores de dezembro, como o emprego industrial da Fiesp, já indiquem aceleração. Entretanto, como já indicado por alguns indicadores antecedentes, os sinais para o último mês do ano são de aceleração da indústria, conforme apontado pela expansão do emprego industrial em São Paulo de 0,9% na margem no período, em termos dessazonalizados, conforme dados divulgados ontem pela Fiesp/Ciesp. O resultado de 2010 como um todo, por sua vez, mostrou criação de 114 mil postos de trabalho, o que representa uma alta de 4,7% ante 2009. Trata-se da maior geração líquida de vagas desde que a série começou a ser apurada, em 2005, superando o ano de 2007, com alta de 4,6%.

Já a Abal divulgou que a produção interna de alumínio primário segue enfraquecida, refletindo as restrições de oferta do setor decorrentes das dificuldades das empresas deste segmento com o elevado custo operacional de energia elétrica e com o câmbio apreciado, que tem favorecido as importações. Com isso, a produção nacional de alumínio primário somou 1,536 milhão de toneladas no ano passado, mantendo-se estável em relação a 2009, quando tinha retraído 7,5%. De forma geral, esses dados revelam as condições atuais do setor, determinadas pela parada nos investimentos, restringindo a oferta ao mesmo tempo em que a demanda doméstica continua crescendo, devendo ser atendida pelo mercado internacional.

Na área internacional, o Banco Central Europeu adotou um tom mais duro em relação à inflação, sugerindo um risco, mesmo que pequeno, de antecipação do ciclo de normalização da taxa de juros neste ano – após alta de 2,2% verificada na inflação ao consumidor em dezembro –, reconhecendo que as pressões são temporárias e, portanto, os riscos para a trajetória prospectiva para a inflação estejam balanceados, mas esses podem crescer. Diante disso, não apresentou mudanças em relação às medidas de política monetária atuais, em decisão de juros realizada ontem, quando se manteve a taxa básica de juros em 1% ao ano, conforme esperado.

A avaliação da atividade econômica, por sua vez, é de manutenção da trajetória de recuperação, se beneficiando da continuidade do crescimento da economia mundial e em reflexo às medidas já adotadas de estímulo à liquidez, embora a incerteza se mantenha elevada, principalmente quanto à consolidação fiscal de alguns países membros. A esse respeito, o BCE reafirmou a necessidade de cumprimento das metas fiscais, sugerindo que os governos atuem de forma antecipada, de modo a evitar reações negativas do mercado. Na mesma direção, o Banco Central da Inglaterra (BoE) não alterou o patamar de juros atuais, em 0,5% ao ano, assim como manteve o programa de compra de ativos, em £ 200 bilhões.

A China, também seguindo a trajetória de normalização das condições monetárias, de forma a conter as pressões inflacionárias e para trazer a atividade econômica para um ritmo mais sustentável, acabou de anunciar uma nova subida no compulsório. Assim, esta alta de 0,5 p.p. soma-se a outras seis elevações implementadas ao longo de 2010, além das elevações na taxa de juros. Além dos determinantes vindos da atividade aquecida combinada com a inflação pressionada, este movimento no compulsório, cuja alta começará a valer no próximo dia 20 de janeiro, deve ter sido motivada pela aproximação do feriado do Ano Novo Chinês, quando a demanda por crédito é impulsionada, relembrando que no mesmo período do ano passado, o compulsório também foi elevado. Dessa forma, este sinal reforça nossa expectativa de que o Banco Central Chinês continuará controlando as condições monetárias e creditícias ao longo de 2011, lembrando que é esperada uma política de compulsório diferenciado, com definições mensais e específicas para cada banco comercial durante este ano.

Nos EUA, os preços de alimentos e energia mais pressionados impulsionaram as importações em novembro e se refletiram na inflação ao produtor em dezembro. Na Europa, os preços de commodities em alta têm se refletido também nos índices de preços dos países desenvolvidos; avanço das importações levou a uma retração do saldo comercial da Zona do Euro em novembro.

As bolsas européias e o preço do índice futuro da bolsa norte-americana (S&P) devem operar em baixa neste momento enquanto o dólar perde valor relativamente ao euro. O movimento de hoje, dado pela apreciação do euro e pela leve queda nas bolsas mundiais, é motivado por uma série de fatores que ainda apontam para continuidade de baixa: (i) dados mais fracos dos pedidos de auxílio desemprego dos EUA, (ii) elevação da taxa de compulsório na China, mesmo considerando os sinais mais positivos na Zona do Euro, referentes à evolução das dívidas soberanas. Além disso, diversos indicadores da economia norte-americana serão conhecidos hoje, como produção industrial e vendas no varejo, referentes a dezembro. Assim, refletindo uma elevação da aversão ao risco nos mercados internacionais, espero que a Bovespa feche o dia em queda e o real se aprecie discretamente frente ao dólar.
 

(*) Thiago Flores é Administrador – EAESP-FGV, Mestre em Economia de Negócios – EESP – FGV, Mestre em Finanças – IBMEC/INSPER –SP, Consultor de empresas e CFO à FF Consult ®
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ffconsult@ffconsult.com
 

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